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Ato lembra um ano das mortes de oito homens em Curitiba

Foto: Rede Nenhuma Vida a Menos

No próximo sábado (12), familiares de vítimas de violência policial no Paraná realizam mais uma manifestação em Curitiba. É o 3⁰ Ato por Justiça e Memória e acontece a partir das 10 horas na Rua XV de Novembro esquina com a Rua Monsenhor Celso, no Centro da Capital.

Organizado pela Rede Nenhuma Vida a Menos, a manifestação é em memória de Ezequiel Clayton da Silva, Garibalde Cordeiro Neto, Alessandro Pereira da Silva, Mateus da Silva Rodrigues e Selmo Pedroso, mortos pela Policia Militar há um ano, em 11 de agosto de 2022.  
Os manifestantes também reivindicarão que sejam aprovados os projetos que determinam o uso de câmera nas fardas dos agentes.

Polícia mata oito em Curitiba

Em 11 de agosto de 2022 a Polícia Militar do Paraná matou oito pessoas durante supostos confrontos em Curitiba.

Naquela noite, no bairro Caximba, policiais abordaram um carro com alerta de furto e, de acordo com a PM, dois homens desceram do veículo atirando. Na suposta troca de tiros os dois morreram.

Ao mesmo tempo, no bairro Cajuru, segundo a PM seis pessoas se encontravam em uma casa planejando a morte de um membro de uma facção criminosa. A polícia recebeu denúncia de seu setor de inteligência e, ao chegar à residência, teria acontecido um confronto e os seis homens acabaram mortos.

Em 13/12/2022, no entanto, 19 policiais militares foram afastados das ruas suspeitos de envolvimento em ações que resultaram na morte de 12 pessoas em Curitiba e Região Metropolitana, segundo o Ministério Público (MP). Entre eles estavam policiais que participaram das ações de 11 de agosto.

A operação foi realizada com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e cumpriu 31 mandados de busca e apreensão.

Na ocasião, o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, informou que a investigação apurava ações de policiais suspeitos de execução. “Existe uma certa dúvida a respeito da narrativa formalmente exposta nos boletins de ocorrência e, também, porque muitas pessoas nos declararam que os fatos ocorreram de modos distintos. Estas declarações das pessoas tem um conteúdo lógico que pode ter acontecido”, disse.

Violência policial no Paraná

O Paraná registrou 17,3% mais mortes em confrontos com policiais em 2022 do que em 2021. Os dados são do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná.

O levantamento revela que, em 2022, foram 488 mortes, contra 416 no ano anterior. Os números consideram ocorrências com policiais civis e militares e guardas municipais.

O coordenador do Gaeco afirma ser inegável que a instalação de câmeras nas fardas dos agentes de segurança pode ajudar a reduzir a letalidade das ações policiais.

I Encontro de enfrentamento à violência policial no Paraná

No próximo dia 26 de agosto a Rede Nenhuma Vida a Menos promove o I Encontro de Enfrentamento a Violência Policial do Paraná: Quem nos cuida da polícia? O evento acontece no Anfiteatro 100, na Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e vai debater a brutalidade policial em nosso estado, o genocídio da população negra e estratégias de enfrentamento ao terrorismo de Estado forjadas diariamente por familiares e sobreviventes nas ruas, becos e vielas do país.  

Sobre a Rede Nenhuma Vida a Menos

É um movimento, fundado em Curitiba no ano 2019 que se organiza na luta contra a violência policial, as violações de direitos e os crescentes ataques das forças de segurança do Estado à população pobre de Curitiba e Região Metropolitana.
Atua na divulgação e no acompanhamento de casos, construindo junto com os familiares das vítimas mobilizações por justiça e memória e fortalecendo a solidariedade entre as pessoas que foram vítimas do estado.

About José Pires

É Jornalista e editor do Parágrafo 2. Cobre temas ligados à luta indígena; meio ambiente; luta por moradia; realidade de imigrantes; educação; política e cultura. É assessor de imprensa do Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana - SINPES e como freelancer produz conteúdo para outros veículos de jornalismo independente.

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