Cara eu já fui chuva forte, mas ela era tempestade, e não qualquer tempestade, ela sabia ser tufão nível Catrina em um dia ensolarado. Chamava atenção por onde passava, sabe aquela mulher padrão corpo perfeito brasileiro com o selo de qualidade bunda gigante “Kim Kardashian “? Pois é, ela era justamente o contrário.

“Pernas finas, bunda pequena, vão entre as pernas, cada um encontra Deus aonde pode.” Ouvi um amigo falar isso uma vez e achei graça, hoje tatuaria isso na testa em letras de neon cintilante. Acha exagero da minha parte? É que você não conheceu a garota que tira meu sono. Mas se você quer entender essa visão mais complexa que o Dark Side the Moon do Pink Floyd, pegue uma bebida, aperte os cintos, e ouça com muita atenção. Máscaras de oxigênio poderão cair a qualquer momento.

Ela era aquela garota bem branquinha, que chegou a ter o apelido de Gasparzinho na época da escola. Cabelos castanhos, daqueles que parecem que vão pegar fogo a qualquer momento. Era bem magra, nada de curvas acentuadas, peitões e bunda gigante, isso era pra garotas comuns, e ela era algo que hoje eu poderia traduzir como divino. E olha que eu era cético quanto a deuses até conhecê-la.

Se você me perguntar se eu sou fã de magrelas eu vou te responder que sou culpado de cabo a rabo, mas também vou ter que ressaltar que olho para garotas mais encorpadas com a mesma gula que para as magrelas.

Mas voltando a ela; O nosso encontro não foi nada de especial, pelo contrário, o nosso primeiro contato nunca serviria para contos de fadas. Foi atrapalhado, estranho, um verdadeiro conto de falhas.

Sabe aqueles botecos de faculdade em que a galera vai porque tem cerveja barata e música ruim?! Pois é, foi na porta de um desses pulgueiros que eu a vi pela primeira vez. E eu juro por tudo que é mais sagrado que tinha um grupo de pagode tocando Whisky a go go.

Eu entrando após uma prova importantíssima de sabe Deus lá o que, e ela saindo, fingindo que fumava pra se livrar de um desses babacas que não aceitam não como resposta. E olha que ela manjava de dar nãos. Eu sou mais estabanado que os Três Patetas juntos. E acabei me esbarrando com ela que se estabacou no chão pra minha vergonha e surpresa. Aquele ser que estava me xingando e perguntando se eu não olhava por onde andava era extremamente lindo, divina, a verdadeira personificação do pecado. Enquanto eu a ajudava a levantar e tentava me desculpar percebi uma coisa muito interessante. Ela me levaria até para o inferno se desejasse.

Estava vestida com uma saia longa, daquelas hippies, floridas, e uma camiseta branca, dessas regatas mais cavadas, e os cabelos castanhos levemente cacheado soltos. Era uma visão incrível, ainda mais no cenário em que se encontrava.  E quanto a mim? Uma velha calça jeans surrada, Allstar e camiseta branca. O cara que ninguém nunca imaginaria junto com aquela deusa de olhos castanhos claros e boca carnuda.

Ela aceitou o meu pedido de desculpas e que eu lhe pagasse uma cerveja, que aliás estava quente. A essa altura o babaca que eu tinha mencionado antes estava bufando de raiva e olhando com cara de touro assassino para nós. Mas graças aos amigos não babacas dele, só ficou na raiva mesmo.

Naquela sexta-feira quente pra cacete ela entrou na minha vida, inundou a minha alma com aquele sorriso de explodir estrelas e me mostrou pequenas miudezas sobre ela que mesmo que consideradas defeitos eram qualidades incríveis.

Hoje eu sei que ela morre de medo de baratas e gatos de forma irracional, que chora de forma copiosa ao assistir filmes românticos e não perderia por nada no mundo uma estreia de Star Wars. Sei que ela só mostra as covinhas que tem no rosto quando está sorrindo envergonhada, e que tem mania de comer doces escondida durante a madrugada quando eu estou de dieta. Ela é incrível com números e não aguenta ver um cachorro que abraça o pobre coitado no maior estilo Felícia. Ela é uma contradição completa, mas é exatamente isso que me encanta nela.  O jeito como se move e consegue o que quer.

O velho Bukowski já disse uma vez que muito cara legal já foi parar debaixo da ponte por causa de uma mulher, mas meu camarada, ela levaria qualquer homem para qualquer lugar. Dona de um humor peculiar, misturava a doçura dos seus grandes olhos castanhos com a sagacidade que você só encontra em quem já devorou todos os livros de Silvia Plath, T. S. Eliot, Emily Dickinson, Lucinda, Adélia, Manoel de Barros em uma única semana.

Entendia de politica, finanças, automobilismo e moda. Parecia ter sido projetada para ser a musa de tudo que é cara. Mas isso era só um pouco sobre dela, ela não tinha nascido pra agradar ninguém, e como ela era uma contradição, provavelmente não nasceu pra agradar nem a ela mesma, só pra não ter que se dar satisfação.

Se você prestar bastante atenção verá que estamos falando de um ser muito complexo, a ciência e a magia se entrelaçavam nela e nenhuma das duas conseguia explica-la. Era como andar na corda bamba sobre um rio cheio de piranhas e crocodilos e continuar sorrindo se achando o sortudo do ano. Mesmo sabendo que você vai cair.

Ela entrou na minha vida naquela sexta-feira com o clima de amostra grátis do inferno. E contrariando todas as expectativas de contos de fada, arrumou o seu próprio lugar dentro do meu universo. Tornando-o tão seu que eu não saberia te dizer aonde começa ou termina o meu.

Mas voltemos ao caos que foi o primeiro encontro:

Estávamos por volta da quinta cerveja, que aliás, por alguma mágica do destino não estava quente, quando ela me encarou com aqueles olhos que poderiam engolir uma galáxia inteira e de supetão puxou minha cabeça e me beijou. Mas não foi qualquer beijo, foi daqueles que te arrancam o ar, que te deixam tonto, e no meu caso mais bobo do que já sou.

É estranho, mas depois disso, não me lembro de mais nada que aconteceu no bar, nem mesmo de ter pagado a conta que eu sei que aumentou com pedidos de tequila, só lembro dos beijos, cada vez mais quentes. Diria que o clima daquele dia esquentou cerca de 25° por causa dos beijos dela.

Sei que quando dei por mim, estava a beijando dentro da garagem da casa dela, sem camisa, com ela encostada na parede, só de saia, com as pernas entrelaçadas a minha cintura, a minha barba por fazer lhe arranhando o pescoço enquanto eu tentava devora-la. Ledo engano meu pensar que eu era capaz disso, ela é quem me devorava naquele momento, corpo, alma e quiçá a sanidade. Era algo incrível, a pele dela resplandecendo a luz pálida da garagem. Aquela boca cheia de dentes alvos que mordiam minha pele, e me mostravam que o paraíso se encontra no poder de uma mulher, daquela mulher.

No terceiro ato já estávamos na cama, entregues ao prazer de sermos humanos, com a minha língua a explorar o corpo dela, conhecendo-lhe o corpo, lhe entregando minha alma. A    quem venda a alma ao diabo, eu dei a minha de bom grado aquela deusa, que me entregava o meu gozo, o meu gosto.

Ah meu caro, a esse momento já não sabia que horas eram, qual era nós estávamos, nem mesmo o limite do humor, todas essas questões eram efêmeras. Se eu tivesse que escolher entre a paz mundial e os gemidos dela? A paz mundial que se lascasse, junto com qualquer discurso de miss. Aquela garota linda a quem eu entreguei minha alma, era tudo o que importava naquele momento.

E se quer você quer saber, hoje depois de anos, enquanto eu te conto essa história, em um momento pós-sexo com minhas costas ardendo por conta das unhas cumpridas. Ela dorme feito criança ao meu lado, com um sorriso de canto de boca, que me diz tudo que eu preciso saber sobre a vida; Ela ainda está aqui…

 

… Ou você achou que eu ia perder a perfeição que atende pelo nome de uma mulher?

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Biólogo com especialidade em toxicologia alucinógena por formação, toca contra-baixo por teimosia, escreve por necessidade, mas a sua real vocação é almoçar. Escreve no seu blog acamadepregos mas nem sempre.

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