Coluna Pão e Pedras: Amenidades e Poesia 

Mundo, vasto mundo, se me chamasse Raimundo seria peão, pra tocar boiada.

Não há espetáculo mais belo nessa terra do que o encontro de uma boiada de várias centenas, milhares de animais guiados por um grupo de peões, imutavelmente constituídos. O comissário segue à frente, negocia as etapas, comercializa o rebanho. Junto dele segue o ponteiro, que com seu berrante avisa os companheiros sobre paradas, travessias, obstáculos. Os guias variam de acordo com o tamanho do rebanho, colocam-se à frente e aos lados, certificando-se que todo rebanho esteja em condições de seguir a caminhada enquanto o chave vai na retaguarda. O culateiro vai mais atrás, cuidando dos bezerros e enfermos, que não conseguem acompanhar a tropa.

Todo fim de tarde, após ter caminhado dezenas de quilômetros, o gado para a beira da estrada onde se alimentam do pasto, descansam e são tratados pelos peões. Dormem sob as estrelas, sem abrigo, em noites que, muitas vezes são frias e – apesar do grande número de indivíduos – solitárias. Todos os dias a rotina é repetida, sempre conduzidos, todos no mesmo rumo: o abatedouro.

Agora fico aqui imaginando, são milhares de bois, e pouquíssimos peões. Cena realmente maravilhosa seria se cada boi se visse como parte da boiada e, cansado do abatedouro cotidiano, botasse os peões pra correr, escolhendo então, quais os pastos que irão percorrer.

 

 

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Kauê Avanzi é mestrando em Geografia pela USP, educador no Ensino Básico, poeta e músico. Gosta de escrever, se divertir e confraternizar.

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