O que vos conto nas próximas linhas não é imaginação nem poesia. É um resumo de pensamentos que se abrigaram em mim por anos. Pensamentos provocados por experiências vividas; algumas boas, outras tristes ou ainda, traumáticas.

Como uma metamorfose, os pensamentos transformaram-se em descobertas e estas, em aprendizagens.

Ei-las:

Descobri que uma música, mesmo que dure poucos minutos, provoca em mim uma felicidade genuína e pura. Basta cantá-la alto e deixar meu corpo em seu compasso, independente do lugar que eu esteja.

Descobri, em uma breve viagem, que uma estrada pode fazer-me  renascer e que recordar a infância pode ser um “santo remédio”!

Em uma briga passageira, aprendi que chorar transforma dor em aprendizagem e que um sorriso pode durar míseros segundos, mesmo assim, poderá ser inesquecível!

Descobri, enquanto vivia um relacionamento, que amor verdadeiro realmente pode existir, mas que só termina com “um final feliz” em filmes ou novelas. ─ Autor algum insere o término de um relacionamento no último capítulo. Já reparou?

Por falar em filme, enquanto assistia um, descobri que ele pode transformar minha vida, mesmo que seja em relação a pequenos detalhes. Sempre haverá uma cena ou uma fala que te marcará e você fará dela uma grande lição.

Enquanto desenvolvia um projeto profissional, descobri que podia  apaixonar-me pelo meu trabalho, e que esta paixão é tão importante quanto aquela outra que conhecemos  ─ a mais comum ─  do enamoramento.

Não sei exatamente quando, nem como, mas também descobri que existem pores do sol inesquecíveis. Guardo na memória alguns deles!

Aprendi que banho de cachoeira e de chuva realmente me revigora, principalmente, quando o caminho da cachoeira é de difícil acesso e a chuva é de verão.

Descobri que o mundo é bem maior do que imaginava. Mesmo olhando mapas, tudo ou quase tudo me é desconhecido. É importante ler e assistir documentários sobre outros países (adoro!). Mesmo assim, é um conhecimento adquirido e não vivido (percebes a distância entre os dois?).

Aprendi que o ser humano pode ir muito além do que imagina; que as diferenças entre os povos talvez sejam imensuráveis. Que utilizamos muito pouco das nossas capacidades intelectual e afetiva.

Fala-se e deseja-se mais “coisas” do que sentimentos. Eu, inclusive, cheguei neste estágio. Fim de dois mil e dezesseis com aquela sensação de que deveria ter sido um ano “pulado”, fora do calendário. Vontade de mandar tudo e quase todos ─ principalmente políticos ─ para aquele lugar!

Descobri que só há uma luta que vale a pena: aquela pelos meus ideais!

Mas, ainda me pergunto: que luta é esta? Estou só nela? Se faço parte de uma nação, quero lutar com todos e a favor de todos. Entenda todos como sinônimo de povo.

Como andam nossas lutas? Lutamos, lutamos e lutamos. Para sermos surpreendidos na virada de uma noite com decisões absurdas do Supremo Tribunal Federal!

Sei! Vai dizer que a música é velha? É mesmo! “Que país é este?”, já perguntava a banda Legião Urbana em Mil Novecentos e Oitenta e Sete, apesar de ter sido escrita por Renato Russo no ano de Mil Novecentos e Setenta e Oito.

Viralizou, principalmente de Dois Mil e Onze para cá. Cantada em vários shows por bandas nacionais, a galera grita: ─ É a porra do Brasil!

Não é a porra do Brasil. É a porra dos políticos que governam o Brasil!

 

(pausa para respirar!)

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Descobri o quanto é importante respeitar o outro como ele é, suas crenças, mesmo que não dialoguem com as minhas. Descobri, eu disse. Estou tentando colocar em prática.

Sabe por quê? Porque aprendi que sempre podemos mudar de ideia, de direção, de opinião, de caminho. Ser rígido é coisa para aço e ferro. Eu mudei de opinião algumas vezes e foi muito produtivo. Trouxe para a minha vida, não só reflexão, mas abertura de raciocínio. Senti que me tornei mais flexível.

Descobri que “andar na moda” significa “andar como eu quero”, que não existe um padrão, pois tudo pode ser reinventado!

Aprendi que poesias expressam verdades que não queria ver! Que sempre vale a pena esperar, porque podemos nos surpreender com as coisas que o tempo nos traz! Descobri que não adianta você ter uma vida saudável, alimentação balanceada e praticar esportes, se a sua mente vai mal. Cuidar dela é prioridade.

Descobri que ser pessimista pode provocar tragédias (mesmo que internas) e que egoísmo e ganância são cânceres!

Aprendi que ajudar o próximo deveria ser uma lei em nossa Constituição e que colaborar e compartilhar são atos em extinção. Torço para que não sejam apenas verbos.

Descobri que, brincar de brincadeiras de criança faz a ingenuidade renascer dentro de mim e que, mesmo em tempos difíceis como os de hoje, ter um pedacinho dela é voltar a ser criança!

Aprendi que a morte chegará para todos. Por isso, mesmo quando o cansaço está para me vencer, esforço-me para cuidar daqueles que amo.

Tentando resolver problemas, me pegava pensando no mês seguinte, e ainda era dia 02 do atual mês.  Foi quando aprendi que ansiedade não serve pra nada, a não ser para adoecer. Pois é, precisei adoecer para aprender que a melhor coisa a fazer é viver um dia de cada vez. Não é balela não! Faça o contrário que você enlouquecerá!

Descobri, nas minhas horas de psicóloga que nunca foram contadas, que todos nós somos grandes personagens. Não precisa ser famoso para ter uma incrível história de vida. Quantas histórias de vida desconhecemos. Já parou para pensar?

 

(mais uma pausa para respirar, agora pequena)

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Continuarei a ter outras descobertas e mais outras e outras. Às vezes lembro de Colombo – qual foi sua sensação ao descobrir a América?

Veja bem, se você não tiver em mente estas palavras: descobrir e aprender, dificilmente irá amadurecer. Fará anos, mas estará com a mesma mente, sem novas ideias, sem reciclar suas crenças, valores e a própria vida. Será que vale a pena?

Cada descoberta nos leva a ver a vida com outros olhos. É um trocar de lentes sucessivo.

Agora, se você não acreditar em você, de nada valerão suas descobertas.

Aliás, dar uma parada agora e espiar-se (dar uma olhada em como você está, sua autoestima, suas curiosidades, seus planos) pode ser um bom início para um novo ciclo em sua vida. Comece a prestar atenção em suas reações, em seus sentimentos; talvez (para não afirmar), você surpreenda-se com você mesmo. Quer descoberta melhor do que esta?

Ssmaia Abdul, pessoa e psicóloga que está sempre descobrindo algo novo! CRP 06/60674

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Ssmaia Abdul

Ssmaia Abdul é Psicologa formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mora em São Paulo e tem especialização em Jornalismo Literário .

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