Suspeito que um vazio nos habita. Um vazio que tenta preencher nosso ser. Um ser que segue caminhando sem saber para onde nem por que.

Um ser que simplesmente tornou-se o que é por forças externas. Um ser que é o que ele não é.  Está longe de sua essência íntima, desconhece a si mesmo. Seus sentimentos são “conhecidos estranhos” que, caso se encontre, não há nem sequer um “oi, deixa eu te ver!” Nosso ser está do outro lado da margem. Da margem que nos separa de nós mesmos!

Tornamo-nos seres vazios, dispersos de si mesmos! Nosso corpo, mente e alma formam um continente desabitado por nós mesmos!

Um continente que mora longe, arraigado em nossas memórias mais primordiais, porém inacessível aos nossos sentimentos. Não queremos aproximação.

Tornamo-nos frios. Indiferentes frente ao outro (que é outro continente desconhecido) e indiferente diante de nós mesmos.

Tornamo-nos distantes do todos os continentes, dos outros e dos nossos.

Cada um de nós, um mundo, um continente, cujas margens se afastam cada vez mais. Isolam-se como se cada um estivesse à deriva em oceanos distintos, cujas águas jamais se encontrarão.

Continentes, mapas, margens, oceanos, que desenham cada um de nós, mas que se tornam secretos, por não serem descobertos pelo próprio ser: nós, humanos!

Não há tempo, não há razões, não há motivos que nos levem a adentrar tais continentes. A Terra gira cada vez mais rápido! É inútil desbravar-se.

É melhor permanecer no vazio. O vazio nos priva de supostas dores, mas também de supostas alegrias!

Tornamo-nos, seres vazios, distantes do outro e de nós mesmos.

Tornamo-nos solitários num mundo ainda habitado!

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Ssmaia Abdul

Ssmaia Abdul é Psicologa formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mora em São Paulo e tem especialização em Jornalismo Literário .

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