Coluna Versando

A expressão artística é capaz de fazer a nós humanos voarmos pelo tempo e pelo espaço. Mas imersos no corre-corre das cidades, muitas pessoas esquecem deste pequeno grande detalhe que é dar-se um tempo em meio ao tempo e parar para olhar, ouvir, sentir e até participar por alguns instantes de uma elaboração artística, fazer algo diferente que a tire da rotina de apenas trabalhar para sobreviver. A maioria das pessoas apenas consome a arte industrial, aquela que chega pela TV, pelo rádio, cinema e outras mídias. Poucas se dão o prazer, ou tem condições financeiras para ir a um teatro, a um concerto musical, uma exposição de artes plásticas, etc.

Se passearmos pelas nossas cidades com olhar atento, podemos encontrar em tudo que vemos expressões artísticas e culturais. Todo povo que habita determinado lugar, faz arte sem muitas vezes perceber e apreciar o seu fazer como tal. Costumamos nivelar por baixo nossos talentos e manipulados pela mídia mercadológica, achamos que arte, cultura são só aquelas bugigangas produzidas em série, sempre do mesmo jeito e empurradas para nosso consumo e muitas vezes para nossa alienação.

Ainda são poucas as cidades que investem realmente na exposição, no incentivo aos talentos locais. Isso também requer estrutura, recursos, pessoas capacitadas para direcionar, orientar as diferentes expressões artísticas de uma região, de uma população.

A expressão artística , tanto para aquele que produz e realiza, quanto para aquele que apena olha, toca, ouve, aprecia de algum modo, afeta o psiquismo e a mente começa a se revolucionar, e as pessoas percebem que o que está estabelecido não é bem assim, começam a se identificar ou a rejeitar o que é representado e uma nova rede de conexões com a vida, com as outras pessoas, com a realidade podem ser captadas e se estabelecerem, mudando o ser estar dessas pessoas na sociedade.

Quando uma cidade investe nos talentos artísticos de sua população e propicia a esta mesma população a ver um espetáculo novo, a apreciar uma nova exposição, a participar de um festival de dança, de música, de teatro, essa população ganha novo ritmo, nova vida, pois as pessoas acabam saindo de seu lugar comum. E ao se permitirem participar, fazer parte, de obras produzidas por pessoas que elas conhecem, que fazem parte de sua comunidade, de seu dia a dia, novos sentimentos podem ser reascendidos e problemas como individualismo, consumismo, insegurança, violências, podem ser diminuídos e até eliminados em determinadas regiões.

As cidades, como espaços densamente ocupados e povoados, precisam disponibilizar cada vez mais novos locais para que sua população possa expressar seus dons artísticos e culturais. Esses locais podem ser fornecidos pelo poder público, mas as empresas que atuam na cidade ocupando seu espaço e seus recursos também devem ter como objetivo a responsabilidade social e uma das ações dessas empresas pode ser o de destinar locais para apresentações artísticas e também incentivar as produções locais com patrocínios e outros investimentos possíveis nesta área, porque muitas vezes uma produção local pode se expandir a outras regiões e junto acaba levando o nome da cidade e tudo o que dela faz parte.

Parabéns às cidades que reconhecem que a arte e a cultura são fundamentais para o desenvolvimento de um povo e de uma comunidade e aprova leis que beneficiam essa importante área que também faz parte da educação e formação de uma população crítica e consciente.

  • Você conhece e aprecia as expressões artísticas e culturais que acontecem em sua cidade?
  • Que dom artístico, cultural você tem ou gostaria de expressar ou aprimorar? Já pensou nisso?
  • Você tem conhecimento de cursos que são oferecidos nessa área em sua cidade?

 A arte é o espetáculo da vida o que precisamos é aprender a olhar e descobrir a melhor maneira de a representarmos .

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About The Author

Irene Grockotzki

Professora Irene Grockotzki é professora de Geografia, formada pela UFPR trabalha na rede estadual de ensino há 27 anos.

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