Coluna Filosofia Di vina

Enquanto a Globo propaga que a solução da crise é a retirada de direitos e investimentos, Temer, o poeta, tenta vender no estrangeiro tudo o que puder. O Nosferatu de verde e amarelo relembra suas origens vampirísticas e oferece as veias brasileiras a quem pagar mais. Até então, nada de novo.

O cantor e arquiteto cearense Falcão disse uma vez: “a crise no Brasil é igual cheiro de c*, diminui, mas não passa”. Por que a crise brasileira nunca passa? Incompetência administrativa ou ela faz parte programática de um sistema?

Para sanar a crise, as elites políticas, econômicas e midiáticas se mobilizaram, cada uma delas fazendo sua parte para o bem de si mesmas. A mídia se esforçou para canalizar os movimentos de 2013 contra o PT, a política orquestrou o que pediam “as ruas”, o impeachment,  e a elite financeira esfregou as mãos, rompendo com o pacto de classes instaurado pelos governos de Lula e Dilma. Daí surge a broxante figura de Michel Temer, o testa de ferro, o salivante de sangue ignorado do Bohemiam Grove.

A crise, que nunca passa, tem a receita pronta: cortes e mais cortes. Obviamente que tais cortes se designam somente à classe trabalhadora, o que inclui também os aberrantes militantes contra corrupção que, sempre que solicitados pela Veja ou Globo, ocupam as ruas tirando selfies com a PM, mas que se calam quando a corrupção não tem bandeira vermelha. Estes também serão afetados pelos cortes, pois, por mais que pensem ser ricos, ironicamente não são.

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O que não esperavam, nenhuma destas elites, é que o movimento estudantil se tornasse a vanguarda da resistência. Com pautas contra a reforma do ensino médio (MP 746) e PEC 241, os estudantes, principalmente do Paraná, começaram o movimento “Ocupa”. Tal movimento vem ocupando escolas do estado todo e deixando clara a mensagem: nenhum direito a menos. O movimento – que é apoiado pela comunidade, pela parte pensante dos professores e pela mídia alternativa – cresce mais a cada dia. Depois do Paraná, vários estados estão se mobilizando.

Os estudantes mostram ao governo que já é tarde demais para os ataques. As disciplinas que são o alvo desta “reforma”, principalmente filosofia e sociologia, já estão fazendo efeito. Para o azar do governo, os estudantes não são mais massa de manobra, eles e elas tem autonomia intelectual, já não aceitam tudo calados, são contestadores, não querem só o mais do mesmo, querem ir além, querem uma escola de qualidade e faculdade pública, querem e estão participando ativamente da história de seu país.

A letra desta canção de resistência é composta pela juventude, o tom é dado por ela. Estão fazendo uma verdadeira aula de campo de filosofia e sociologia. Nas escolas ocupadas há debates, assembleias, oficinas, a escola está se tornando, neste tempo de ocupações, o que ela deveria ser: um exemplo de espaço democrático de conhecimento. O movimento dos estudantes é alegre como um carnaval, forte e unido, em outras palavras, tudo o que o governo não queria.

O risco que o governo corre é grande e ele sabe disso. Se der margens aos contestadores, fica em débito com os credores e financiadores do golpe. Se não escuta o que pede a verdadeira voz das ruas, e principalmente das escolas, arrisca ser derrubado por agravar sua situação com o povo. O pior disso tudo é que não dá para convencer todo mundo, pois, nem todos se informam pela grande mídia, nem todos são batedores de panela em varandas de bairros nobres.

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