O ser humano é, por natureza, um ser social. Desde o momento do seu nascimento ele precisa do amparo de outro semelhante para atender às suas necessidades básicas como, alimentação e proteção com agasalhos, moradia e higiene.

Com o passar do tempo, seus vínculos vão se estendendo e diferentes outras pessoas, locais e instituições, começam a fazer parte de seus relacionamentos. Atualmente, para algumas pessoas, essa rede de relacionamentos ultrapassou a barreira do real e desde a infância, algumas iniciam relacionamentos virtuais, utilizando as mais diferentes ferramentas que a tecnologia moderna oferece.

Todas essas mudanças tecnológicas, além das formas de como as pessoas se relacionam utilizando essas ferramentas refletem na cidade. Pois uma cidade, nada mais é do que um espaço ocupado por seres humanos que nela exercem as mais diferentes atividades e vivem os mais diferentes relacionamentos.

Se observarmos o nosso dia a dia, percebemos que as cidades, assim como algumas pessoas, vivem e interagem em dois ambientes distintos, mas que estão interligados. O ambiente real onde realizam as principais e básicas atividades de manutenção e dinâmica da vida e o ambiente virtual, onde entram para complementar, compartilhar e dialogar as atividades que realizam ou pretendem realizar.

No ambiente real, as pessoas se encontram em diferentes locais, tais como praças, mercados, estádios, shoppings, cinemas, teatros, restaurantes, escolas, igrejas, ruas, estações e terminais de ônibus e trens, etc.. Nesses locais podem ocorrer interações interessantes entre as pessoas, tais como: apresentações artísticas, musicais, compras, jogos e diversão, momentos de estudo e reflexão, protestos e discussões. Tudo isso realiza-se também no ambiente virtual com a participação de pessoas que de uma forma ou outra interagiram no ambiente real em algum desses lugares. O ambiente virtual, pode porém,  suscitar a entrada de outras pessoas de lugares distantes, que vão compartilhando sua opinião e imagens que tem algo a ver ou a complementar o que  alguém postou ou levantou como questionamento sobre a cidade.

Observando essa interligação entre o mundo real e virtual, pode se notar que hoje as cidades e sua dinâmica, não existem apenas na vida real. Elas estão presentes em dois mundos, ou seja, um mundo que pulsa nas praças, nas ruas, nos locais de trabalho, estudo e outro que navega pelas máquinas, pela tecnologia e o que antes se restringia a um determinado local, pode em poucos minutos extrapolar para o mundo.  E no espaço virtual, se algo for interessante e agregue algum valor, pode influenciar positivamente outras cidades ou pessoas levando consigo muitas vezes o nome da cidade, sua imagem e sua dinâmica. Mas se for algo negativo pode provocar revolta e desprezo pela cidade ou pelo fato que ali aconteceu.

As redes virtuais podem em alguns casos, reunir muito mais pessoas nas discussões sobre algum aspecto real da cidade do que uma reunião em praça pública.

Assim como acontece na vida real, no espaço virtual muitos apenas observam e temem envolver-se nas discussões e outros não tem acesso por vários motivos e que muita vezes são os mesmos que impedem que essas pessoas frequentem alguns espaços reais da cidade. Motivos tais, como falta de conhecimento, condições econômicas, não disponibilização de determinada estrutura, falta de equipamentos, etc.

Da mesma forma que a cidade real, a cidade virtual está em construção e constante mudança. Pessoas chegam e tentam participar, se forem bem recebidas acabam contribuindo com ideias e inovações, agregando valor a determinadas conversas no espaço virtual que acaba contribuindo para a dinâmica do espaço real da cidade. Mas pode acontecer, que assim como no espaço real, há pessoas que chegam ou que frequentam determinados lugares apenas com o objetivo de depredar, pichar. Entrando também no espaço virtual, conseguem espalhar o vírus da destruição, atingindo quem está nesse espaço e também quem está do lado de fora. E como a maioria das pessoas ainda não frequentam a cidade virtual, muitas vezes não tem a chance de saber que está sendo criticada ou que determinado lugar da cidade sofre comentários e pichações virtuais.

Esta nova maneira de encontros, relacionamentos e conversas, onde o real e o virtual compartilham diálogos e pensamentos sobre as cidades, pode desenvolver uma nova dinâmica na reorganização dos espaços urbanos, fazendo com que as pessoas sejam o bem mais precioso a ser cuidado e a ter suas necessidades realmente atendidas com dignidade e igualdade.

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Irene Grockotzki

Professora Irene Grockotzki é professora de Geografia, formada pela UFPR trabalha na rede estadual de ensino há 27 anos.

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