Coluna Confortavelmente Enrockecido 

Ele nasceu em Hazelhurst, no estado do Mississippi em 08 de maio de 1911 e morreu 27 anos depois, em 18 de agosto de 1938 em Three Forks, perto de Greenwood também no Mississippi. Mesmo com todas as condições para ser apenas mais um trabalhador braçal sem grandes expectativas na vida, Robert Leroy Johnson entrou para a história da música como um dos artistas mais influentes e venerados do mundo. Muitos mitos cercam a história do Blues Man, mas o que nem todo mundo sabe é que, assim como muitos dos grandes nomes desse gênero musical, Robert Johnson teve uma vida marcada por tragédias pessoais e uma relação bem próxima com a morte.

A mãe de Robert, Julia, teve dez filhos antes dele nascer. Todos gerados no casamento com o marido Charles Dodds. Quando ela tinha 40 anos deu a luz a Robert Johnson que nasceu de um relacionamento extra conjugal. Segundo historiadores seu pai era um trabalhador rural chamado Noah Johnson. Pouco tempo depois Charles Dodds mudou-se para Memphis por causa de problemas com alguns fazendeiros de Hazelhurst. Quando tinha três anos de idade Robert foi enviado para viver com ele e com os irmãos no Tennessee.

Legendary American Blues singer songwriter Robert Johnson (1911 - 1938), left, with fellow musician Johnny Shines (1915 - 1992), circa 1935. This image is one of only three known photographs of Johnson, has been extensively retouched. (Photo by Robert Johnson Estate/Hulton Archive/Getty Images)

 Robert Johnson (1911 – 1938) e Johnny Shines (1915 – 1992)

Robert Johnson cresceu em Memphis e aprendeu a tocar o básico de um violão com um de seus irmãos. Então, quando tinha nove anos, se mudou de volta para o Delta para viver com sua mãe e seu novo marido, Dusty Willis. Nessa época Johnson já estava mais interessado em música do que em trabalhar na lavoura, fato que gerou muitos problemas entre ele e o padrasto.

O primeiro encontro

Aos 19 anos Robert se casou com Virginia Travis. A cerimônia aconteceu em 17 de fevereiro de 1929, em Penton, no Mississippi. O casamento ia bem, mas Virginia, que tinha 16 anos, morreu um ano depois quando estava dando a luz a um menino.

Por volta de 1930, Son House, considerado por muitos como o mais talentoso Blues Man do Delta, mudou-se para viver em Robinsville, foi quando Robert Johnson o viu tocar pela primeira vez. Son House recordou, muitos anos depois, “ele tocou a gaita e era muito bom com isso, mas na verdade ele queria tocar guitarra.”

Foi na casa de seu amigo, Willie Brown, que Robert mergulhou no mundo dos acordes do violão. Foi então que o jovem músico decidiu vagar como um andarilho na busca pela perfeição do Blues.

Em maio de 1931 Robert casou com uma jovem chamada Colleta. Mais uma vez o casório aconteceu em Hazlehurst, mas logo depois do casamento Johnson continuou a viajar pelo Delta, melhorando a sua forma de tocar guitarra e tocando em pequenos bares. Em 1932 foi para Nova York, Detroit e St. Louis, sempre estudando e tocando o Blues em pequenos bares e prostíbulos.

A história diz que muitas vezes, durante suas apresentações, ele concentrava sua atuação em uma mulher na plateia, em uma espécie de “show particular”; um negócio arriscado em um mundo onde os homens não pensavam duas vezes em partir para a briga quando se sentiam ofendidos. Tal ousadia, combinada ao talento para a música, faziam Johnson ganhar cada vez mais fama entre as mulheres.

O segundo encontro

Quando tinha 23 anos sua segunda esposa morreu também vítima de complicações no parto. Ele, que despertava tanta paixão entre as mulheres, não conseguia construir uma vida ao lado das mulheres pelas quais se apaixonava.

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Depois da morte da segunda esposa Johnson mergulhou ainda mais na carreira de Blues Man. Estava obcecado em ser o maior tocador de violão da história. Sua carreira como profissional, no entanto, durou apenas dois anos (1936 a 1938) e se passou em prostíbulos e bares de baixa popularidade. Gravou apenas 29 músicas e não conseguiu nenhum reconhecimento comercial em vida. Porém, ganhou de seus companheiros músicos o título de “The King of the Delta Blues Singers”.

Johnson é uma figura importantíssima para o blues pela padronização do formato de 12 compassos. Suas músicas foram regravadas por diversos artistas como Red Hot Chilly Peppers, Eric Clapton e muitos outros, além de influenciar grandes nomes do blues, como Muddy Waters e Elmore James.

As lendas

Uma das grandes lendas conta que Johnson teria vendido a alma ao demônio para obter o seu talento e a sua habilidade com o violão. Acredita-se que ele ficou a espera na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em uma noite de lua nova com seu violão na mão. A meia-noite, o diabo em forma de um homem apareceu para afinar seu instrumento. A partir daí todos que ouvem suas músicas são encantados por ela. No supersticioso sul dos Estados Unidos do início do século, eram comuns os mitos demoníacos, e o tema fazia parte da tradição do blues. Suas músicas como “Me and the Devil Blues”, “Hellhound on my Trail” e “Crossroad Blues” aumentaram as crenças na história, pois essas músicas tinham alguma alusão ao diabo. Esta história foi difundida principalmente por Son House, um influente cantor e guitarrista de Blues Norte-americano.

A hipótese mais provável é que a lenda do pacto com o diabo tenha surgido por inveja, pois Johnson era um excelente tocador de violão.

O filme “A Encruzilhada” (Crossroads, EUA, 1986), com Ralph Machio e Steve Vai é uma clara alusão a história de Robert Johnson, especialmente sobre seu encontro com o diabo para se tornar um grande músico.

Tocando de costas para o público

As atitudes de Robert Johnson ajudavam a espalhar sua fama de sinistro e adorador de forças ocultas. Uma delas era o seu hábito de tocar de costas para o público durante seus shows. As pessoas então diziam que ele fazia isto para esconder o olhar do diabo que surgia para auxiliá-lo. Na verdade, a versão mais coerente supõe que ele tocava de costas para esconder os acordes que ele inventava sozinho e não queria que algum músico que estivesse na plateia o copiasse.

O terceiro e derradeiro encontro

A data da morte de Roberto Leroy Johnson é imprecisa. Supõe-se que seja no dia 16 de agosto de 1938. Existem diversas lendas sobre seu óbito. Johnson bebeu whisky envenenado com estricnina, supostamente preparado pelo marido ciumento de uma de suas amantes. Ele veio a morrer três dias depois de envenenado, sofrendo terríveis dores no estômago durante todo esse tempo. Essa seria a razão de, antes de morrer, Johnson ter sido encontrado andando de quatro e uivando como um cachorro no corredor do quarto do hotel que ele estava. Há várias versões populares para sua morte: que haveria morrido envenenado pelo whisky, que haveria morrido de sífilis e que havia sido assassinado com arma de fogo. Seu certificado de óbito cita apenas “No Doctor” (Sem Médico) como causa da morte.

 

 

 

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Dom é aficionado por música, mas especificamente pelo Rock n’ Roll e suas várias vertentes. Aprendeu crítica musical nas bodegas do Largo da Ordem como o Bills Bar e nas conversas na fila do Madrugueiro que partia ás 5 h da manhã do Terminal Guadalupe.

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