Coluna Versando 

Neste momento histórico que são as eleições municipais, observa-se em toda cidade a efervescência da campanha eleitoral. É o momento político mais próximo do eleitor, das pessoas comuns, já que muitos candidatos moram nas comunidades, de onde saem para tentar chamar a atenção de toda uma cidade e conquistar a simpatia da população com propostas inteligentes e viáveis para assim receber os votos que os conduzirão à câmara de vereadores ou a prefeitura.

Muitas pessoas ainda têm como participação política apenas esse momento, ou seja, acompanhar a campanha, observar e discutir sobre o desempenho de alguns candidatos. Outros envolvem-se mais diretamente, auxiliando a campanha e defendendo algumas bandeiras, mas a maioria, após digitar o voto na urna, sente-se livre e volta a pensar em política somente na próxima eleição.

Observando essa situação é de se perguntar: até que ponto essas atitudes de não envolvimento da maior parte das pessoas nos debates políticos do dia a dia de uma cidade acaba sendo conivente com a situação política atual no Brasil, onde apenas alguns mandam e desmandam conforme seus interesses particulares?

É preocupante essa situação de desânimo, de não envolvimento, de não ter ou querer ter conhecimento do que acontece na esfera política do país, do estado ou da cidade. Há uma enxurrada de notícias negativas envolvendo políticos e grandes empresários onde o dinheiro público e privado se mistura, para atender interesses particulares ou de alguns grupos, em detrimento de investimentos mais substanciais em educação e saúde para a população e obras públicas que poderiam alavancar o desenvolvimento real do Brasil como, por exemplo, investimentos em ferrovias e hidrovias que barateariam o transporte de pessoas e cargas e integrariam melhor o país e sua população.

A mídia, jornais e revistas impressas e diferentes redes sociais via internet, insistem em falar mal da classe política diariamente. Parece até que é uma coisa combinada para afastar cada vez mais o cidadão comum dos espaços políticos e fazer com que aqueles que ocupam esses espaços sintam-se seguros em continuar atendendo os seus interesses particulares e corporativos.

A eleição municipal é o espaço de participação política mais próxima do eleitor. De que forma uma campanha política municipal pode agregar valor a esse momento? As pessoas que se colocaram como candidatos (as), estão fazendo a leitura da realidade atual, estão vendo a desinformação, a ausência de criticidade e a alienação de grande parte de seus eleitores?

E você que mora, trabalha, estuda, usufrui da infraestrutura e dos serviços da cidade, continua pensando que política não presta que os políticos são sujos e corruptos, que você nunca vai se meter em política e que vai continuar votando só porque é obrigado?

 No Brasil o direito ao voto nem sempre foi de todos. Votavam os que tinham dinheiro, estudo ou posses como terras e empresas. Embora hoje continuem sendo eleitos como maioria nos parlamentos, os que detêm posses e grandes extensões de terras e grandes empresas. Há uma “certa democracia” porque todos podem se candidatar a qualquer cargo e todos tem o direito de votar, embora se elejam na maioria dos casos, os que aceitam os acordos propostos pelos que tem posse do dinheiro ou de empresas.

Numa cidade para um candidato ser eleito sem o apoio de grandes empresários é muito difícil, porque as campanhas, para se desenvolverem, precisam do financiamento de pessoas com dinheiro ou de grandes empresas que assim atrelam a “ajuda” a benefícios que receberão quando o candidato que eles apoiaram for eleito. Esse tipo de amarração que acontece nas cidades, estados e país e que a população não vê e não toma conhecimento, é que muitas vezes faz o político decepcionar os eleitores quanto ao não cumprimento das promessas de campanha que o elegeu, porque ele precisa primeiro atender aos interesses de quem o financiou e que na maioria das vezes ninguém fica sabendo quem é.

Como mudar essa situação? Como transformar a escolha de representantes que irão administrar uma cidade em um ato político onde toda população participe desde a indicação dos candidatos, nas suas campanhas e não apenas no dia da eleição?

Embora com todos esses desafios e questionamentos, a campanha eleitoral não deixa de ser um momento interessante e pode ser sim um espaço de encontro de pessoas onde essas e outras indagações possam trazer luz e despertar mais cidadãos para uma atuação consciente e ativa na esfera política, visando o bem comum e a construção de uma cidade onde o progresso seja o objetivo, mas a atenção seja para as pessoas e a natureza levando em conta um desenvolvimento harmonioso e que atenda a todos com igualdade.

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Irene Grockotzki

Professora Irene Grockotzki é professora de Geografia, formada pela UFPR trabalha na rede estadual de ensino há 27 anos.

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