É que às vezes o vinho é a nossa melhor companhia. Não que um beijo doce, um sorriso de canto de uma boca vermelha de batom ou aquela conversa sobre algum assunto que pode mudar o mundo em uma mesa de bar com os amigos leais, não sejam coisas boas… Mas é que em dias frios como hoje, o vinho é a nossa melhor companhia.
Eu sei que você está prestes a fechar aquela porta levando suas malas e os meus discos de vinil, que sim eu vi você escondendo naquela ridícula mala rosa brilhante, mas deixa a garrafa. Leve meus cigarros que não fumo desde que entrou em minha vida, minha camisa do New England Patriots ou até mesmo minha coleção de tampinhas de cerveja. Mas deixa a garrafa.
Sei que nossa história está em estado de hiato, capaz de findar-se após você bater a porta e nós sabemos que não foi por falta de amor, talvez tenha sido por excesso dele. Daqui há dois anos, talvez duas semanas, você sabe que nunca fui bom com números, a gente encontre uma solução pro excesso de brigas e de amor. Mas agora deixa a garrafa e se voltar ao meu cafofo por favor traz meus discos de volta, som digital é uma merda.

Talvez seja estranho esse nosso repentino fim, e meu apego a garrafa, é que essa garrafa foi você quem me deu, então deixa a garrafa. Mas se tem que ir, vá… Feche a porta e não olhe pra trás, não me deixe ver seus olhos castanhos, sua boca carnuda e esse pequeno furo no seu queixo que me desanda.

E se eu gritar que te amo, não olhe sorrido para trás, ou eu sou capaz de uma loucura, sou capaz de esquecer meu plano mirabolante de pedir a Joss Stone em casamento e me laçar aos teus pés, ignorar minha alergia e colocar uma aliança nos nossos dedos, na mão esquerda logo, tipo casal de comercial de margarina (Deus me livre).
Então deixa a garrafa, e fecha essa porta sem olhar pra trás. Porque hoje tá frio, e o vinho parece me aquecer, parece simular o teu gosto frutado, e não, não é o álcool falando por mim, só tomei meia garrafa, e ainda estou longe de ficar ébrio. E você sabe do meu lema, sóbrio ou feliz, nunca os dois… Então fecha essa porta e deixa a garrafa, preciso dela na falta do teu sorriso pra me manter feliz.

Não, não faz isso, não olha sorrindo pra traz… Ah!! Tarde demais, deixa essa merda de mala ridícula no chão e vem pro meu colo porque esses dez segundos me deixaram morrendo de saudade.
Ainda bem que você deixou a garrafa…

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Biólogo com especialidade em toxicologia alucinógena por formação, toca contra-baixo por teimosia, escreve por necessidade, mas a sua real vocação é almoçar. Escreve no seu blog acamadepregos mas nem sempre.

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