Talvez alguns se perguntem se isso é uma crônica ou uma letra de MPB ao ver o título. Mas garanto que ao fim da leitura você vai me entender… E sim, eu estou quebrando a quarta parede da escrita e falando diretamente com o leitor.

Era um daqueles fins tardes frios e calmos de um fim de semana atípico na periferia da Grande São Paulo. Ele estava largado na calçada de casa aproveitando os últimos raios de sol que esquentavam a pele.

Parecia estranho pensar que mesmo com a crise política e econômica, disputa entre pessoas que denominavam as outras como petralhas, coxinhas, mortadelas e o caralho a 4… Ele estava pensando em coisas totalmente diferentes. Ele estava pensando nela. Em como eles tinham chegado ao ponto onde estavam, sobre as orquídeas que ela tanto amava.

A garota amava as orquídeas, mesmo com sua total inaptidão a botânica, mas ele entendia. Ele aprendia coisas que nunca sonhou só pra vê-la sorrir. Só pra ver aquela boca linda se abrir em uma explosão de dentes e luz. E tinha os olhos, cara aqueles olhos eram faróis e o guiavam a felicidade.

E lá estava ele pensando em tudo isso e querendo que a crise fosse pra casa do caralho. Fechou os olhos, respirou fundo e encostou-se no muro da casa… Para sua surpresa o sol parou de aquece-lo, sabia que não tinha nuvens então algo estava obstruindo a luz.

Ao abrir os olhos viu um carro branco e na janela uma garota loira, olhos castanhos, magra e linda que mais parecia ter saído de um sonho. Deuses, o sorriso de Monalisa não era porra nenhuma comparado ao dela.

Ela abriu a boca e a voz dela incendiou o ar como gasolina e fogo… Uma explosão melodiosa do que é bom e do que provoca medo de não ser real. Cara você já imaginou alguém que tem uma voz que é uma entidade viva, pulsante, um ser divino a parte? Pois é, ela era mais. Muito mais…

_ Entra aí, vamos dar uma volta… Ah você dirige, você fica sexy com a ruga de concentração que aparece na sua testa quando você dirige.

De verdade eu não sei se quando a vida te dá limões se você faz uma limonada, mas sei que da pra fazer uma bela caipirinha.

Ele entrou no carro, e perguntou pra onde iriam, ela deu um sorriso de canto de boca, sabe desses que te fazem perder o ar?! E disse, me leva pro Garden quero ver umas orquídeas. E ele pensou: me fodi, eu vou cuidar de mais flores pra ela.

A visita no Garden foi rápida, então ela assumiu a direção sorrindo feito uma criança que tinha ganhado um doce, e ele achando que iam pra casa dela, mas ela fez um retorno esquisito e parou na frente de um desses motéis cheios de frescuras, e pediu um quarto top de linha.

Ela queria amar, ela queria ele, e ele queria ela mais que o ar que ele respirava.

Eles não fizeram só amor naquela noite, eles fizeram sexo, foderam gostoso, putaria da boa. Entre quatro paredes só não vale dedo no olho e xingar a mãe meus amigos. Depois de uma foda homérica com direito a orgasmos múltiplos e pernas com câimbras, ela deitou no peito dele e adormeceu… E ele ficou olhando  pra o papel de parede de orquídeas e pensando, será que é o Wando quem decora esses quartos?

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Biólogo com especialidade em toxicologia alucinógena por formação, toca contra-baixo por teimosia, escreve por necessidade, mas a sua real vocação é almoçar. Escreve no seu blog acamadepregos mas nem sempre.

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