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Não que não seja triste, o fim sempre é, mas é que às vezes a gente cansa. Cansa de esperar a mudança, de esperar a atitude, o carinho, cansa de esperar até mesmo que o maldito telefone toque, seja atendido. Não que não se acredite mais no amor, essa raposa sempre estará lá, como um cão teimoso que arranha a porta de madrugada querendo entrar, querendo se esconder do barulho dos trovões.

Mas às vezes é preciso descobrir outras formas de amor, é preciso parar de namorar a secretária eletrônica e começar a ver gente. É preciso descobrir o amor próprio, ser narcisista nem sempre é ruim, em alguns casos, é até preciso, benéfico. É preciso andar na chuva, ouvir musica irlandesa, conversar sobre lindas garotas que nunca estarão ao seu alcance. Isso faz parte da evolução, você vai ter que aprender a ser o mandruvá para conseguir se tornar borboleta.

Cortar laços e seguir em frente de peito aberto, disposto a tomar os tiros da vida, a toma-los sorrindo. Sentindo cada pancada com aquele sorriso que faz o mundo pensar: Esse aí é louco.

O grande segredo da evolução é o casulo, é a força que você faz pra sair dele, o tempo que você gasta para criar asas e rasgar as paredes. No começo vai ser um voo desajeitado, todos os músculos vão doer, mas é aí que se encontra a beleza da coisa. É o saber que a dor valeu a pena, que o tempo mudou o mundo, que você não cometerá os mesmos erros.

Então meu amigo, sorria, desligue o telefone, rasgue as cartas de amor que não foram enviadas, vá pra rua, vá pra lua, sem guarda-chuva, sem hora pra voltar, ouça a música irlandesa, o blues, dance. No meio da rua, na chuva, cante uma canção alegre pra cada gota que vier lavar sua pele e alma. Deixe a evolução transbordar de cada poro de sua pele, deixe a mudança de atitude rasgar o casulo, liberar suas asas. Se entregue a vida, deixe ela se entregar a você. A mariposa que não se lança nas chamas nunca saberá o seus segredos.

Então, não me diga o que você está esperando. Vá e faça, assuma os riscos de ser feliz, e a vida se encarregará de te trazer o material para a sua jornada. E quanto ao telefone não atendido, a falta de atitude, ao fim de tudo que você era? Simples, se te fez mal, não vai fazer falta, se te fez bem, vai servir de bagagem, sempre vai fazer parte do pretérito. E depois que se sai do casulo, que se deixa de ser mandrová, não se tem tempo para lembrar-se do que se queria esquecer. Não se tem tempo para voltar, então só queime a ponte e siga em frente, até no caminho das pedras se podem encontrar lindas flores

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About The Author

Biólogo com especialidade em toxicologia alucinógena por formação, toca contra-baixo por teimosia, escreve por necessidade, mas a sua real vocação é almoçar. Escreve no seu blog acamadepregos mas nem sempre.

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