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No peso das coisas mora o cansaço de pernas já não mais firmes. A pressão do mundo sobre o peito sufoca a pobre com ardor e sangue. Esmiuçam-lhe as vísceras em busca de respostas ausentes às perguntas de causas irreparáveis. O desalento da loba, já destituída do fardo das virtudes, cobre o que um dia foi amor com o manto do desespero.

De pés presos ao chão, a valsa dos confidentes exala o chorume da violência com passos penosos. O despejo do vômito envenenado pelo ácido da angústia lhes molesta o espírito com tal gravame que só lhes resta o ódio.

Pobres almas de caráter medíocre que não se importam em desferir golpes. Morte!

A loba caída entre os galhos quebrados sucumbe ao declínio do homem viril, cala tua selvageria em sangue. Os vermes sob a terra que anseiam pela carne dos infiéis, dos sujos e dos mentirosos, são traídos pela límpida pele canina em desalento.

E num instante de loucura, envolve-se num riso débil que perturba os desavisados. Aqueles que se veem imunes sobre o pedestal do falso triunfo jamais imaginariam a voracidade de sua fome. Sujos!

“Pobres almas de caráter medíocre que não se importam em desferir golpes. Morte!”

Lava-te a mão, assassino silente, e o que a água leva? Apenas pó ou a viscosidade do sangue que omites? Diga-nos, imundo, diga-nos!

A loba absorvida pela terra observa o mundo de seu mais verdadeiro ângulo, o inferno. Chafurdada na terra molhada da cova improvisada, solta o último suspiro, o último rastro de uivo sob as botas daquele que lhe caça. A chuva cai silente sobre as folhas, a mata lamúria em luto por sua mais antiga protetora. O carnífice dá as costas à sucumbida e caminha sob a violenta borrasca como se ela lhe lavasse o juízo. Isento de remorso, o limpo de alma encardida deixa atrás de si o rastro dos pés e da morte.

Na cova rasa da loba, as outras criaturas que lhe amavam observam seu forçado descanso com o pesar do desgosto. O desconsolo dos abandonados, agora solitários na jornada lúgubre da taciturna vida. Restam-lhe o lamento, o medonho putrefato da impunidade e o silêncio. O homem das botas molhadas levou consigo as mil almas de todos que feriu com sua nojenta cobiça pelas quentes peles de loba.

E assim, jaz sob a gravidade da Terra, sob a gravidade dos atos vis. Deixe estar, deixe estar…

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About The Author

Andy Jankowski é mestranda em Multimeios pelo Instituto de Artes da UNICAMP, formada de Cinema e Vídeo na UNESPAR/FAP, cursou filosofia na UFPR. Dedica seus estudos à Teoria, História e Linguagem do Cinema, sobretudo na representação da mulher. É membro da Associação Paranaense de Imprensa, foi Diretora Cultural e co-fundadora da Organização Universo Racionalista e atriz profissional.

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