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Coluna Pão e Pedras: Poesias e Amenidades 

Durante séculos homens e mulheres exaltam a beleza das rosas. Fala-se de suas cores, do seu cheiro, sua beleza. Criaram teorias, fizeram romances, poemas, perfumes.

Logo, não estou aqui para elogiar as rosas, pelo contrário. Quero adverte-las sobre questões que os mais sábios parecem não ter percebido.

A roseira é a comunidade das rosas, lá vivem todas elas, mudas, surdas, e talvez telepáticas, não se movem. Isso por que estão cercadas de espinhos.

Isso mesmo, o grande mal são os espinhos!

 Isso por que estes permanecem armados com suas lanças escarlates, pintadas de verde para fazer propaganda de alguma esperança. Esperança que morre a cada dia. Imortal esperança.

As rosas, por sua vez, vestem-se de medo, cheiram medo, comem medo, habitam o medo. E o vermelho-sangue escorre de suas pétalas cada vez que estas expressam o gosto por alguma novidade. O tempo todo são obrigadas a trair a própria natureza educando – desde cedo – os jovens botões ao medo. Medo este que já está cristalizado nos mais velhos. Vivem de medo, e matam por medo.

É por isso que as rosas, até hoje, tem se refugiado no amor, a única coisa que lhes resta. A única coisa que os espinhos não conseguem impedi-la de sentir e o mesmo que os grandes poetas não se cansam de idealizar. O amor nasceu da noite, da chuva, da subversão e da covardia.

Mas é mesmo muito triste a vida das rosas. Triste por que elas morrem após ter amado uma vez. Uma única vez.

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About The Author

Kauê Avanzi é mestrando em Geografia pela USP, educador no Ensino Básico, poeta e músico. Gosta de escrever, se divertir e confraternizar.

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