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Documentário Amy, de Asif Kapadia, indicado ao Oscar 2016 já esta disponível na Netflix

Com problemas cardíacos, agravados pela bulimia e o consumo excessivo de álcool e drogas, em 23 de junho de 2011 falecia Amy Jade Winehouse. A cantora de talento incomum passeava entre a delicadeza e a agressividade, do agudo ao grave, do amor à incompreensão. Era como o Jazz, com apimentadas de Hip Hop, R&B e Reggae, furiosa, com agudeza de espírito e a simplicidade de soar magistral num palco. Porém, as dificuldades em se lidar com a fama, indo sempre aos extremos, a exposição nos tabloides ingleses de forma depreciativa, ofuscou do público o que realmente a Srta. Amy tinha de melhor, a música.

Indicado ao Oscar 2016 na categoria de melhor documentário estreou na Netflix, em fevereiro Amy, do diretor Asif Kapadia. Vencedor do BAFTA com Warrior, é também conhecido pelo documentário sobre a vida de Ayrton Senna.  O diretor recebeu o aval da família e do pai Mitch Winehouse, disponibilizando gravações, áudios, fotos, entrevista, arquivos pessoais, no entanto para o pai o filme só retrata os aspectos negativos da cantora. Mas, o que parece na tela é o tratamento do pai a filha como produto comercial, tentando vendê-la a todo instante, até nas clínicas de desintoxicação, “você quer me colocar numa caneca de souvenir” (Amy).

Mitch separou-se da esposa Cynthia quando a cantora ainda tinha 8 anos, deixou-a para viver com outra mulher, caso que já durava algum tempo. A ausência da figura paterna influenciou na criação de Amy que tomava antidepressivos porque se sentia estranha, não por ter problemas. Mas todos têm problemas, segundo ela. As broncas das mães pouco surtiam efeito e logo estava aprontando novamente e sem rédeas ao completar 16 anos entendeu que poderia ser e fazer de tudo, “você pega muito leve comigo, você tem que ser mais rígida mamãe” (Amy).  Os casos de bulimia na adolescência também eram frequentes, porém Cynthia achou ser passageiros, “Mamãe, mamãe aprendi uma nova brincadeira eu como e depois ponho o dedo na garganta” (Amy).

É descrita pela sua melhor amiga Julliete Ashby como sorridente, alegre, carismática e expansiva. Rodeada de pessoas se destacava pela sua espontaneidade ao ser comparada com Dido que escreve canções baseadas nas experiências amorosas semelhantes à Winehouse, a boca aberta e um bufar intimidam e respondem: não havia comparações. O fato de estar na Island Records, mesma gravadora das Spice Girls, incomodava ao ponto de querer sair, esta ligação desprestigiava seu trabalho. Gostava do som cru, puro, na essência, descartava o uso sintetizadores e outras parafernálias eletrônicas, a música tinha que fluir naturalmente sem cobranças.

O segundo álbum coincidiu com a separação com Blake Fielder que conheceu em Camden Town, berço do entretenimento e da cultura alternativa. Depois do primeiro CD Frank com o single Stronger That Me, o novo trabalho Back to Black trazia não só uma sonoridade peculiar, mas uma cantora influenciada pelas pin-ups, os anos 60, ritmos caribenhos, reggae e R&B, miscigenados no Jazz, sombrio, mas quente, doce, porém amargo. No processo de gravação cena marcante do documentário é no estúdio repetindo “Black… Black… Black” encerra a canção e diz “esta parte é meio triste”. Bebia de forma exagerada, sentia-se solitária, esta música foi composta em quatro horas fez a letra e harmonia, sentava-se debaixo de uma árvore e escrevia por horas, “você lembra como estava o dia, do cheiro do pescoço, dos seus sentimentos, vem tudo de uma vez só” (Amy).

O estrondo do disco levou a cantora ao topo ganhou vários prêmios na Inglaterra e o Grammy em cinco categorias, não acreditava no que aconteceu, mas tudo aquilo parecia nada porque não estava “High” (Amy). Em cerimônia particular casou-se com Blake e aproveitando do sucesso e da grana fácil às drogas entravam com facilidade na vida da cantora. O relacionamento destrutivo era criticado por todos, mas a tríade ao redor de Amy já estava formada o Pai, Blake e o promoter que virou empresário da cantora. Estas pessoas mesmo vendo o estado debilitado não há incentivavam a sair do vício.

A prisão do marido por obstrução a justiça na ida da Policia ao apartamento do casal, contribui para Winehouse afundar-se cada vez mais, os excessos e os ataques de agressividade começaram a estar presente também no palco. A mídia explorava a figura da cantora a todo o momento, fotógrafos ficavam na espreita da sua casa a espera de momentos menores, para deliciar-se. Apesar de haver shows marcados não eram garantia de serem bons ou ruins, não se drogava, mas bebia para compensar. A relação doente levava Amy a querer se tratar e a separação ajudou, a saúde debilitada levou a procurar tratamento que durou paliativamente.

Quando olhei na expressão de Amy Winehouse debilitada pelo consumo de álcool e drogas, agravados pela bulimia. Entendi, ali não havia mais música. Parecia uma bomba relógio prestes a explodir, esbanjava simpatia, carisma, talento, mas perdeu bons amigos e o círculo ao entorno, Blake queria a boa vida, Mitch o dinheiro, empresário shows e mais shows, todos queriam uma fatia deste bolo torto, prestes a cair. Quando escuto a Srta Amy sinto a profundidade, a voz arranhando os ouvidos, angústia, fragilidade e aquela adolescente na primeira audição da gravadora, na essência, crua, apenas o importante, música.

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Mario Luiz Costa Junior

Iniciante, recém chegado do jornalismo moleque. Estilo namoradinho da verdade. Charmoso e dengoso nas letras. Deambulante da desinversão da pirâmide invertida. Ativo e passivo no lead e sub-lead. Não dispensa 'A história da minha vida' com Renato Gaúcho.

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