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Coluna Confortavelmente Enrockecido! 

Eram os verões do amor. Fervilhava pulsante a década de 1960 e os bares de San Francisco, quarta cidade mais populosa do estado da Califórnia, recebiam acordes, batuques, riffs e letras carregadas de psicodélica lisérgica no ponto alto do movimento hippie estadunidense. O movimento intelectual chamado de Beatnik foi de grande importância na formação deste novo estilo. O Beat era caracterizado pela valorização da individualidade, do livre arbítrio, da experimentação e da mudança, em contradição à manutenção dos antigos valores considerados importantes pela burguesia. Cabelos, barbas, colares, pulseiras e uma efervescência cultural pautada na paz e no amor transbordavam pelas ruas da cidade embalados por doses generosas de maconha, heroína e LSD.

E foi no verão de 1965, ano considerado por muitos como o estouro do Folk Rock, que Marty Balin reuniu-se com o músico folk Paul Kantner, o guitarrista de blues Jorma Kaukonen, a vocalista de jazz e folk Signe Toly Anderson, o baterista Jerry Peloquin e o baixista Bob Harvey. A inspiração do grupo eram bandas como The Beatles, The Byrds e The Lovin’ Spoonful. Surgia aí um dos grupos mais emblemáticos, performáticos e fabulosos do rock n’ roll: O Jefferson Airplane.

O grupo faz sua estreia na abertura do clube Matrix, em agosto de 1965, um show que teve o review feito pelo jornalista do San Francisco Chronicle John Wasserman. Thompson, que havia trabalhado na seção de cópias no Chronicle convence Ralph Gleason a ver um show deles no Matrix. Peloquin é logo substituído por Skip Spence, obrigado a tocar bateria, instrumento na qual teve uma pequena experiência (ele era guitarrista).

“Jefferson Airplane – O nome da banda homenageia Blind Lemon Jefferson, bluseiro dos anos vinte que teria sido o primeiro negro a gravar um blues (junho 1926). Airplane teria sido o nome do cachorro de um amigo. Outros dizem que Jefferson Airplane é gíria para uma marica feita de fósforo de papelão dobrado”.

No ano seguinte Spence foi substituído pelo baterista de jazz Spencer Dryden, e Anderson deu lugar à cantora Grace Slick, anteriormente do grupo The Great Society, também de São Francisco. Slick trouxe à banda sua poderosa voz contralto, bem combinado coma música psicodélica do grupo, como evidenciado em canções como “White Rabbit” (de sua autoria) e “Somebody to Love” (autoria de Darby Slick, do Great Society).

Paul Kartner em Woodstock (1969)

Paul Kantner em Woodstock (1969)

A transição para a notoriedade nacional começou com a aparição no Festival Pop de Monterey em junho de 1967. O festival levou bandas de diferentes cenas incluindo Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles e Reino Unido, e a cobertura da televisão deu exposição internacional aos grupos. E em 1969 o grupo fez uma fabulosa apresentação em Woodstock.

A banda virou peixe fora d’água na era do glitter rock do anos 70. Tentou se atualizar rebatizado o grupo de Jefferson Starship, uma nave que nunca chegou a  decolar. Em 1985, Kantner saiu do Starship e do casamento com Grace Slick. No início dos anos 90, ele fez uma tentativa mal sucedida de voltar como Jefferson Airplane. Nos anos 2000, ele ressuscitou o Jefferson Starship.

Primeira vocalista e fundadora da banda - Toly Anderson

Primeira vocalista e fundadora da banda – Toly Anderson

Agora, no final de janeiro de 2016, Paul Kantner morreu por falência múltipla dos órgãos, depois de sofrer um ataque cardíaco aos 74 anos de idade. E no mesmo dia, também aos 74 anos, morreu Toly Anderson. A primeira vocalista da banda sofria de vários problemas de saúde e recentemente tinha sido internada no hospício.

Termina assim o ciclo de uma das bandas mais importantes e fabulosas do Rock N’ Roll.

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