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Onze policiais militares na companhia de dez motos à esquerda. Quatro guardas municipais recostados em uma viatura do Grupo de Operações Especiais (Goe) à direita. Quase uma dúzia de repórteres na frente e no centro pouco mais 50 jovens empunhando cartazes e faixas. Algumas palavras de ordens antecipavam os cantos de dois ou três versos. A Boca Maldita, acostumada com toda a sorte de manifestação política, artística e de tantas vertentes quanto as pedras de seu petit pavê, quase que despercebia a manifestação que começava a se desenrolar. A faixa no centro, entretanto, mostrava que o mote do ato era bem mais importante do que a quantidade de manifestantes insinuava: “R$ 3,80 – Nem tenta”, dizia a faixa levada ao protesto promovido pela União Paranaense dos Estudantes (UPE), na última sexta feira (22). O grupo tem receio que a passagem passe dos R$ 3,30 para R$ 3,80, como projetam alguns analistas.

Diferente do que tem acontecido em São Paulo, onde milhares de pessoas saem às ruas da capital contra o aumento da tarifa no transporte coletivo, na capital paranaense a adesão a causa foi mínima. Pouco mais de 50 manifestantes aderiram ao protesto. A reivindicação desse pequeno grupo, porém, vai ao encontro da realidade de quase 3 milhões de passageiros que utilizam o transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana e que serão afetados caso a passagem seja reajustada dos hoje R$ 3,30 para R$ 3,80.

Carlos Carvalho, morador da região rural do município de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana, gasta em média R$ 17 para ir e voltar do trabalho no centro de Curitiba desde o fim da Rede Integrada de Transporte (Rit). “É um gasto bem alto e fico muito preocupado em pensar que esse valor pode aumentar nos próximos meses”, diz.

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A Rede Integrada de Transportes, que teve fim quando o governo do estado decidiu não repassar mais o valor necessário para subsidiar a Rit, afetou 2.270.000 passageiros por dia e 1.945 ônibus, que percorrem 356 linhas diferentes.

Bruno Pacheco, presidente da União Paranaense dos Estudantes (Upe), ressalta que o ato da última sexta feira na Boca Maldita não se limitou apenas a lutar contra um possível reajuste da tarifa dos ônibus. “Além do aumento da passagem pedimos também que os passageiros tenham um transporte de qualidade. Pedimos que seja revista a licitação do transporte coletivo de Curitiba e a volta da Rede Integrada de Transporte”, destacou.

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As empresas de ônibus que atuam na capital alegam que o valor da tarifa técnica repassado pela Urbs não é suficiente para custear os gastos com veículos, combustível e funcionários. No entanto, o Tribunal de Contas (TC) do Paraná, em auditoria realizada em setembro de 2013, revelou que a tarifa do transporte coletivo, na época em R$ 2,70, poderia cair 16,7%. A auditoria mostrou que R$ 2,25 seria o valor suficiente para que as empresas pudessem manter seu trabalho. O documento também relacionou 40 irregularidades nos contratos da prefeitura de Curitiba com as empresas concessionárias do transporte coletivo.

Outro protesto está marcado para a próxima terça feira (26) às 17 h em frente à Estação- Tubo Central, no centro da capital paranaense.

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José Pires

É Jornalista idealizador do Parágrafo 2. Trabalhou como repórter na Região Metropolitana de Curitiba e como Assessor de Imprensa. Dirigiu o documentário Tabaco – As folhas da incerteza. Acredita que o Jornalismo é mais do que a reprodução dos fatos mais relevantes do dia

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