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Coluna Confortavelmente Enrockecido!

Quando o historiador Lee Pearson viu Big Joe Williams tocando pela primeira vez custou a acreditar no que seus olhos viam e, principalmente, no que seus ouvidos ouviam. “ Ele estava tocando uma guitarra elétrica de nove cordas por meio de um pequeno amplificador caindo aos pedaços com um prato de torta pregado nela e uma lata de cerveja pendendo contra isso. Quando ele tocou, tudo sacudiu. O efeito total deste aparelho incrível produziu a mais movimentada e crepitante música afro-americana que eu já ouvi “.

Big Joe Williams nasceu no dia 16 de outubro de 1903 na cidade de Crawford, no Mississippi. Seu estilo é inconfundível, pois além da voz forte ele tocava com um violão de 9 cordas, que ele mesmo inventou, usando captador elétrico e um slide, ou bottleneck. Essa junção produzia um timbre diferenciado e um som único.

Williams deixou o Mississippi ainda jovem para viajar através do Sul, tocando em plantações e acampamentos de madeireiras. No começo de 1920 ele começou a trabalhar para a Birmingham Jug Band e gravou com o grupo em 1930 para o selo Okeh.

Big Joe foi um dos primeiros bluesmens andarilhos do Mississippi. Ele trabalhava a troco de carona ou comida, dormia em vagões de trem e viajava de cidade a cidade, sem destino.

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Depois de passar por St. Louis, em 1934, ele fez algumas apresentações com seu primo J.D. Short, em alguns bares e festas. Foi através de Short que Williams conheceu Lester Melrose, produtor da Bluebird Records, que assinou com ele um contrato de gravação em 1935. E durante dez anos, Big Joe gravou pelo selo. Ainda em 1935 ele gravou o grande clássico “Baby Please Don’t Go”. Em 1941 ele gravou uma versão da música “Crawlin’ King Snake” que também se tornou muito popular. Durante esses dez anos Williams gravou com grandes artistas de blues da época, como o gaitista Sonny Boy Williamson (John Lee, o primeiro Sonny Boy), os guitarristas Charley Jordan e Robert Nighthawk e o pianista Peetie Wheatstraw.

Seu repertório, que incluía levadas de blues e folks aprendidas por ele durante todas as suas viagens, o capacitou a continuar gravando mesmo depois que as bandas de blues elétrico de Chicago dominaram o cenário musical.

O som do Delta do Mississippi ganhou um reforço importante com essas três cordas adicionais que criaram um som único. Além da diferença com as cordas, Big Joe instalou um captador elétrico para amplificar todo esse som que ele poderia gerar e como se não bastasse, tocava também slide guitar/bottleneck nesse mesmo violão apresentando um timbre fabuloso.

Qualquer um que queira conhecer o verdadeiro Delta blues deve entender o violão como um instrumento de melodias e mais do que isso, um instrumento de percussão. A música do Delta, com profundas influências africanas, deixa claro isso, desde o bluegrass, que era tocado com banjos. Esse estilo fica bem claro quando ouvimos os artistas clássicos do Delta, como Charley Patton, Fred McDowell e Bukka White. Cada um desenvolveu sua própria técnica, seja batendo com a mão no corpo do instrumento, batendo o bottleneck nas cordas, puxando as cordas mais graves como um “slap” de baixo ou deslizando o slide pelas cordas, tudo isso visando aumentar o potencial percussivo do violão. No entanto, Big Joe Williams, mais que qualquer outro artista, incorporou o conceito de violão/percussão tirando um som inconfundível de seu violão de 9 cordas.

Big Joe Willians morreu em Macon, no Mississippi, no dia 17 de dezembro de 1982.

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Dom é aficionado por música, mas especificamente pelo Rock n’ Roll e suas várias vertentes. Aprendeu crítica musical nas bodegas do Largo da Ordem como o Bills Bar e nas conversas na fila do Madrugueiro que partia ás 5 h da manhã do Terminal Guadalupe.

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