Li um caso hoje de verdadeira ajuda, de um cara qualquer, com uma vida normal, que fez a diferença. Que mudou o destino de um moleque. Mas um moleque destes de rua como tantos outros, e não, ele não pegou esse menino e levou para casa, deu estudo, casa, comida e roupa lavada. Não, esse cara comum fez mais, ele deu um sonho, ele deu esperança não só para o moleque, mas para todo um conjunto de pessoas que leram o seu relato. Em determinada parte do discurso, a lá “meu pé de laranja lima”, o moleque, aquele de rua, que cheira cola para tentar espantar a fome, que não come a dois dias, que provavelmente não tem nome, diz que tem um sonho que nunca poderá realizar. O sonho é ir ao cinema, escolher o lugar, sentar na poltrona macia. E é aí que o cara qualquer, mudou o destino desse moleque para sempre. Ele já tinha dado de comer ao garoto, a um moleque qualquer como tantos outros. Ele já tinha dado dialogo que com toda certeza era algo que o moleque não tinha. Mas, velho, faltava algo, algo que para nós é tão corriqueiro. Faltava o sonho, e hein, o cara foi lá e deu o sonho do moleque, o pegou pela mão e disse:

– Seu sonho é um cinema? Então vamos lá.

E até aqui parece a caridade que eu tanto desprezo, mas o que mudou, é forma do relato, do jeito maravilhado com que aquela criança ficou por um total desconhecido que não tinha nenhum dever para com ele, se importar, alimentar, lhe dar seu sonho, e falar: “semana que vem tem mais”.

Ainda parece caridade, não é? Mas eu percebi a diferença hoje, depois de tantos anos, detestando caridade, eu percebi o porquê, o porquê da apatia, do descontentamento quanto ao ato. Quando você faz caridade, você só está afirmando que a pessoa, não vai sair daquela situação porque sempre terá alguém pra lhe oferecer algo, mas quando você ajuda, você dá algo mais primoroso, você vende sonhos, e meu irmão vender sonhos, não é para os fracos.
Imagine a seguinte situação, você foi e deu algo que a pessoa nunca teve, e eu não estou falando desses programas medíocres do governo, bolsa esmola, e o cacete a quatro, eu estou falando de dignidade, de você chegar para pessoa e dar o que ela realmente nunca teve. Você pode pensar que isso não mudou em nada a vida dessa pessoa, mas, meu caro, você acabou de mudar um mundo inteiro. Você abriu uma perspectiva de vida, de esperança para alguém, de que se ela batalhar, lutar e seguir o mesmo exemplo que você, ela pode ter um futuro descente, algo de que possa se orgulhar. A dignidade constrói por si só uma ponte adamantina. Pessoas são como argila, você pode molda-las para serem o que você quiser, mas é somente quando você as lança no fogo, é que elas se tornam uma obra prima. E neste caso o fogo é a dignidade de trata-las como iguais, e oferecer o que o mundo cruelmente lhes roubou: Os sonhos.

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Biólogo com especialidade em toxicologia alucinógena por formação, toca contra-baixo por teimosia, escreve por necessidade, mas a sua real vocação é almoçar. Escreve no seu blog acamadepregos mas nem sempre.

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