CAPA_JESSICA

Coluna Requadro 2

Nesse ultimo fim de semana estreou a segunda série que se situa dentro do universo integrado Marvel produzida pela Netflix – Jessica Jones com a ex-Breaking Bad Krysten Ritter no papel da protagonista e eu me juntei ao Idov Cassol para uma maratona e muitas ideias foram surgindo no decorrer e isso nos levou a escrever essa postagem para o Parágrafo 2. Para a construção desse texto o Cassol me deu uma mãozinha no que tange à parte técnica e as equiparações das HQs com a série.

A primeira série dessa empreitada foi Demolidor e a proposta é que as séries Demolidor, Jéssica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro culminem no grupo Defensores. Ainda não temos notícias do ator que viverá Danny Hand, o Punho de Ferro, mas o Luke Cage vivido por Mike Colter nos agradou muito. No aguardo desses Heróis de Aluguel.

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Os Defensores, a proposta de superequipe Marvel/Netflix integrado ao universo cinematográfico.

Mas e a Jessica?

Jessica Jones é uma personagem Marvel daquelas de origem clássica, um acidente envolvendo substâncias toxicas. A viagem divertida para Disney é interrompida e a família que estava no carro morre, exceto a jovem Jessica.

Jessica ficou em coma e só acordou durante a primeira batalha do Quarteto Fantástico contra o devorador de mundos Galactus. A jovem descobriu que havia adquirido poderes como vôo e superforça e adotou alguns codinomes que não vingaram, como Safira (satirizada na série, assim como seu uniforme).

A personagem não foi criada lá nos anos 60 junto com o a história do Galactus, isso foi inventado recentemente, ela na verdade fora criada em 2001 por Brian Bendis e sua primeira aparição foi na HQ Alias lançada pelo selo Marvel Max (que tinha a proposta de ter uma temática mais adulta). Mas não quero me prender muito a curiosidades da HQs, falarei um pouco sobre a série, tomando o devido cuidado de não lançar spoilers:

Comecemos falando do cenário em que se encontra a série: Jessica Jones se situa no mesmo bairro do Demolidor, Hell’s Kitchen e sua porta com o vidro canelado com a logo ALIAS INVESTIGATIONS tem a mesma força pra mim do que a placa metálica de NELSON & MURDOCK da dupla de advogados de Demolidor. Aproveitando o dia do lançamento da série (20 de novembro) notei algo interessante, o elenco da série é bem variado, vemos negros ocupando vários cargos sem estereotipar, policiais, transeuntes, tudo ali, sem precisar apontar o dedo e enfatizar (como no mundo real – mas real mesmo, não numa bolha). Outro ponto interessante foi a personagem Jeri Hogarth que vivia um romance homossexual, mas a homossexualidade não foi um alarde, nem um fetiche, só rolou, só aconteceu e retratou problemas que são costumeiros a casais, sem tocar nenhuma vez no assunto da homossexualidade, diferente de anúncios exaustivos de beijo gay em revistas de fofoca quando isso ocorre em alguma novela.

Curiosidade, Jeri Hogarth é um personagem homem nos quadrinhos e ter a atriz Carrie-Anne Moss (a eterna Trinity) interpretando não alterou em nada a trama.

Assim como nos quadrinhos, o vilão de Jessica Jones é o Homem-Púrpura, interpretado pelo ex-Dr.Who David Tennant , mas na série chamam ele apenas por seu nome “Kilgrave”, apesar do púrpura estar bastante presente em suas roupas como alusão à sua contraparte do mundo dos quadrinhos. E assim como nos quadrinhos, Kilgrave controla a mente de Jessica e faz o que bem entende com ela, transformando-a em uma fantoche.

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                      Jessica e o Homem-Púrpura

Kilgrave controla as pessoas, esse é seu poder.
“Você irá comigo jantar em um caríssimo restaurante.”
E você não terá como dizer não.

Após passar meses com o canalha manipulador, Jessica consegue se livrar do controle e a trama toda começa quando ele reaparece em sua vida.

Jessica Jones deixa bem claro que, apesar de todo o cenário romantizado, jantar a luz de velas, vestidos caros e passeios de barco o que o vilão fez foi estupro. Ela insiste em repetir a palavra estupro para incômodo de Kilgrave.

Ao que parece, na cabeça de Kilgrave não era estupro, por mais que ele a forçasse a sorrir, a transar com ele e suprir todos os seus desejos sórdidos (que a série não mostra, e isso acredito eu que seja para não romantizar o estupro).

Em momento algum nossa durona Jessica Jones usa o clássico “charme feminino” para obter informações, seumodus operandi é mais bruto, do tipo erguer pessoas pelo colarinho suspendendo-as do chão. Luke Cage, seu “par romântico” da série aparece em alguns episódios, na maioria das vezes para um sexo rápido e logo ele fica para trás enquanto ela continua suas investigações.

Por mais que o desfecho da série não tenha nos agradado tanto  a série teve uma construção social e moral que não pode ser descartada. Ela teve uma democratização no elenco trazendo mais representatividade a diversos grupos sociais sem reforçar estereótipos.

Estamos bastante empolgados pela série do Luke Cage e pela já anunciada segunda temporada de Demolidor. Esperamos que se mantenha esse ritmo.

Foi uma análise breve, mas foi de coração =)
Esperamos que tenham gostado.
Beijos…

E pode trazer a conta 😉

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Heloise Muchinski é estudante de filosofia e fã de cultura inútil. Louca dos gatos antes dos 50 anos.

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