São Paulo, SP.

Edifício Copam, 35º andar, bloco 6, apartamento 1160.

A cento e quinze metros do chão, no ultimo andar, no ultimo apartamento ela desfila pela sala, junto à janela com sua pele branca, desnuda e coberta de sardas que mais lembram estrelas em noites de verão. Ela sempre foi assim, sempre gostou dos extremos. No alto de seu 1,61m (1,61m não 1,60m, porque um centímetro fazia toda a diferença) com seus 47kg distribuídos em um desenho suave que habitava seu corpo, ela colocava a culpa no seu signo, e nadava despreocupada contra a corrente das grandes massas.

Já passava da meia noite e ela dançava ao som do vinil, Somebody to Love da Jefferson Airplaine, com uma taça de vinho na mão, dançava a passos curtos e delicados, com o sorriso bobo causado pelo excesso de vinho e a pele arrepiada do vento que entrava pela janela aberta. Diabos ela definitivamente era uma visão e tanto.

“Ela sorri para ele e quebra sua linha de raciocínio, o chama pra dançar, ele nega dizendo que ver era melhor que estragar a perfeição. Mas é ela quem comanda o jogo meu amigo, o arrasta pro meio da sala e o faz flutuar…”. A Ruiva, de

E ela? Ah! Ela indecisa por natureza era tortamente dona da situação, dos seus passos, sorrisos, da sua ereção. Era uma mistura desencontrada de prazer visceral e responsabilidade descarada.  E diabos ela não parava, e ficava mais sexy, mais louca, mais linda com o tempo.

O velho Bukowski já dizia, encontre algo pra amar e deixe que isso te mate. Mas que se danasse ela poderia lhe matar por mil vidas, e mesmo assim aquela visão não lhe sairia da cabeça.

Ela sorri para ele e quebra sua linha de raciocínio, o chama pra dançar com ela, ele nega dizendo que ver era melhor que estragar a perfeição. Mas é ela quem comanda o jogo meu amigo, o arrasta pro meio da sala e o faz flutuar. A jaqueta sai do seu corpo como mágica, a camisa despenca 35 andares abaixo, era uma Armani, mas diabos, quem liga?

Ela sorri para ele e quebra sua linha de raciocínio, o chama pra dançar, ele nega dizendo que ver era melhor que estragar a perfeição. Mas é ela quem comanda o jogo meu amigo, o arrasta pro meio da sala e o faz flutuar…

Menos e menos roupa no seu corpo, e ele sabe que não tem como escapar, ele é dela e sempre foi. As unhas dela com esmaltes comidos pela sua eterna ansiedade arranham a pele das costas dele, o contraste dos tons de pele deles se perdem na sala iluminada pelo abajur hippie que ela mesma fez. As bocas encontram pedaços e detalhes de corpo em uma fome desesperada, urgente.

O chão, a mesa e bendito divã velho pra cacete se tornam leitos para a luxúria que invade o apartamento, ele nela e ela mais nele do que se pode imaginar. Chegam ao clímax, não juntos, ele primeiro, suado e louco de prazer, ela depois, ronronando feito uma gata malcriada enquanto desliza a boca no pescoço de sua presa cravando-lhe os dentes a ponto de deixar uma marca profunda.

Ah! A ruiva, ela domina os lugares da sua mente e corpo, como quem domina um brinquedo. Ele a observa jogado no divã enquanto ela fuma completamente nua sentada no parapeito da janela sendo dona dos destinos. E ele sabe que está com a ruiva pra si ou por ela, é não saber dizer pra onde apontam os próprios pés.

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Biólogo com especialidade em toxicologia alucinógena por formação, toca contra-baixo por teimosia, escreve por necessidade, mas a sua real vocação é almoçar. Escreve no seu blog acamadepregos mas nem sempre.

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