Coluna Requadro 2!

Em dado momento a vida voa com os dois pés no nosso peito pra nos derrubar, aí cabe a nós levantar e nos reinventar para superar a queda, se você já se sentiu assim lhe convido para continuar essa leitura.

Primeiro de tudo vamos deixar claro, isso aqui não irá te dizer se algum título de HQ é bom ou ruim, mantenho minha proposta de só apresentar algumas facetas dessa área do entretenimento. Demolidor é um personagem criado por Bill Everett e Stan Lee em 1964 e desde então vem se ferrando como a gente. Claro que temos o exemplo do Homem-Aranha que se atrasa nos encontros porque estava prendendo algum maluco, perde emprego, todo falido e etc, mas vamos nos ater ao Demolidor aqui e toda sua trajetória.

Vários roteiristas já passaram pelo personagem e deixaram sua marca, para mim os mais marcantes foram: Frank Miller, Kevin Smith e Mark Waid, mas isso é conversa dos bastidores, quero falar do personagem hoje como se ele fosse alguém que mora ali, em tal endereço que você passa todo dia na frente no frenesi do dia a dia.

Aí vem o Demolidor…

Em um certo momento da infância, enquanto caminhava pela rua, Mattew Michael Murdock percebe que um caminhão desgovernado ziguezagueava pela rua e pela força do instinto ou de bondade no coração empurra um velho cego que estava na trajetória do desgovernado veículo. O caminhão faz uma derrapagem e tambores de lixo radioativo caem da carroceria. Respingos desse material brilhante atingem os olhos do pequeno Matt. (levem em conta que isso foi inventado nos anos 60, os mistérios da radiação ainda estavam sendo explorados e davam margem a muita imaginação)

Claro, estamos acostumados que nenhuma boa ação fica sem punição, alguém já disse isso em algum lugar.

O acidente tira a visão do garoto, mas em troca lhe amplia os outros sentidos. O pai de Matt, que criava sozinho o filho, redobrou os esforços sempre insistindo para o filho não largar os estudos, o velho Jack Murdock era um bom pai e trazia pra casa a grana surrada de suas lutas de boxe, muitas vezes tais lutas eram arranjadas então o dinheiro não era tão limpo assim, mas nunca faltou nada para o filho.

E a mãe? Falaremos dela daqui a pouco.

Em algum momento de sua vida, Jack “o Batalhador” Murdock não quis perder uma luta arranjada e deu tudo de si na luta contra seu oponente. Isso quebrou as apostas de gente grande, irritou os engravatados de charuto e uma bala teve endereço, a carcaça do velho Jack.

Matt presencia todo o processo do arranjador ir pelo ralo com um bando de ratos comprados no tribunal, e jurou que faria justiça. Para isso ele continuou seus estudos e formou-se com louvor na faculdade de Direito. Faculdade na qual ele conheceu seu amigo Franklin “Foggy” Nelson. Acredito que em vários momentos da vida precisamos ter ou ser um amigo como o Foggy, alguém para rir com você ou te puxar a orelha no momento certo, afinal o manto do herói não faz de Matt o cara coberto de razão o tempo todo, muito menos o manto da advocacia.

Matt junto com seu amigo Foggy abrem a Nelson & Murdock – Advogados numa portinha em algum prédio comercial cheirando a mofo e iniciam suas atividades. Os dois jovens sempre na pindaíba davam uma mão em pequenas causas, e paralelo a isso Matt se fantasiava de diabo e assombrava as ruas de seu bairro atrás de bandidos auxiliado por seus super sentidos (Sentidos que só pode controlar depois de um intensivão de treino com o misterioso velho Stick). O irônico disso é que Matt é um homem fervorosamente católico, é normal vê-lo se confessando e usando crucifixo, ajoelhado e clamando a Deus um pouco mais de força, mas optou por se vestir como o tinhoso para punir os criminosos. Justiça com as próprias mãos – claro que não acho correto, não podemos confundir realidade com ficção enquanto pessoas sem um pingo de empatia dentro da mídia injetam ódio no povo lhes convidando para uma justiça com as próprias mãos uma vez que as autoridades são falhas, não posso acreditar na existência de alguém na vida real cometendo esses atos e estando certo. Somando 2014 e 2015 tivemos 3 linchamentos registrados de pessoas que, após averiguar melhor eram inocentes. A graça desses vigilantes fictícios é que eles são fictícios. Nada pode enganar o Demolidor e seus sentidos ampliados, assim como Batman que leva a alcunha de “o maior detetive do mundo”, pressupõe-se que eles não vão espancar um inocente, mas ainda assim, pedir que exista um Batman ou um Demolidor no mundo real é tão infantil e surreal quanto clamar a existência de outro personagem do campo da fantasia, como o Super-Homem.

Mas por que “Demolidor”? o que ele Demole com aqueles bastõezinhos? “Demolidor” é uma adaptação infeliz para aproveitar os dois “D” da roupa dele, no original ele se chama Daredevil, uma gíria que remete a alguém destemido que salta de motoca uma rampa na beira de um precipício no meio de um círculo de fogo (ta, fui preciso demais aqui, mas deu pra pegar a ideia né?). E a roupa de diabo acabava sendo um trocadilho para o Devil de Daredevil, sobrou pra gente aqui o “Demo” do Demolidor.

Matt Murdock começa um enlace com a sua secretária, Karen Page, mas como a vida não dá mole ela vende a identidade secreta de seu namorado em troca de drogas. Wilson Fisk, o Rei do Crime, faz uso disso atormentando nosso herói em sua vida pessoal, deixando-o na sarjeta.

Aí, história vai, história vem, uma ninja aparece em sua vida, e quando está tudo certo trate de desconfiar, a ninja Elektra é assassinada pelo psicopata Mercenário, empalada em uma das cenas mais icônicas do universo Marvel. Fora que o Demo já havia sido casado com Heather Glenn, que teve problemas de alcoolismo e se suicidou para a angústia de Matt. Esse sujeito parece atrair desgraça. Houve um outro affair, Glorianna O’brien, mas fora jogada pela janela pelas mãos de algum desafeto do Demo.

 

Elektra morta pela mãos do Mercenário

Elektra morta pela mãos do Mercenário

Matt perdoa Karen e os dois começam a levar uma vida a dois, juntam os trapos e seguem a vida… Até que… Karen se sente sufocada pelo perdão de Matt, incomodada com a maneira de como ele a deixou voltar para a sua vida, então resolve ir embora. Sozinho no apartamento, Matt podia sente por dias o cheiro de sua ex impregnados no ambiente. Mas Karen retorna para contar ao Matt que seu passado agitado tinha trazido algo, ela estava com AIDS. Não vou me prolongar nisso, no fim era tudo um plano de um vilão pé de chinelo, o Mysterio, que com câncer terminal e queria enfurecer tanto o Demolidor para que o herói desse a ele uma morte digna. No meio de tudo isso o Mercenário, contratado pelo Mystério mata Karen dentro de uma igreja.

Emputecido, Demolidor chega até o Mystério, mas não da a ele o fim que ele queria, e eu gostei, fazer o que? sou antiquado.

Matt novamente tenta reconstruir sua vida, mas a mídia expõe sua identidade dupla no jornal, nisso ele conhece Milla Donovan e começa um novo enlace. Se casam, mas a vida de casado não dura muito, Milla fora manipulada por uma substância que alterou seu comportamento para matar um homem. Ela foi condenada e internada em isolamento para doentes mentais.

Gosto que não retratam o Demolidor como um herói rancoroso, existem outros para ocupar esse tipo, como o Batman, por exemplo, então não precisamos apostar as fichas para que tudo culmine no sombrio e carranca fechada.

O Demolidor sorri.

Mas por que “Demolidor”? o que ele Demole com aqueles bastõezinhos? “Demolidor” é uma adaptação infeliz para aproveitar os dois “D” da roupa dele, no original ele se chama Daredevil, uma gíria que remete a alguém destemido que salta de motoca uma rampa na beira de um precipício no meio de um círculo de fogo (ta, fui preciso demais aqui, mas deu pra pegar a ideia né?). E a roupa de diabo acabava sendo um trocadilho para o Devil de Daredevil, sobrou pra gente aqui o “Demo” do Demolidor.

Suas caixas de textos que exprimem seus pensamentos nos situam de suas aflições assim como narram seus sentidos tateando o ambiente nos levando a ver o mundo pela “ótica” dele.

Ao contrário do que previa Alan Moore que, em algum de seus depoimentos, disse que nada mais podia ser feito no gênero dos super-heróis após sua obra Watchmen, o Demolidor não cedeu ao mundo sedento por sangue proposto por Moore onde todo personagem indubitavelmente sucumbiria, mesmo pesaroso, Matt sorri fazendo seu parkour pelos prédios e becos enquanto se desdobra para dar força ao seu amigo Foggy, que luta contra um câncer – sarcoma de Ewing – visitando-o nas sessões de quimioterapia enquanto surra vilões clássicos e divide o escritório com uma figura incomum, Kristen Mcduffie, sua nova namorada.

Sua mãe reaparece e Matt descobre que ela havia fugido de casa por causa de um problema sério, depressão pós-parto.  Achei interessante uma história em quadrinhos abordar esse tema pouco divulgado. Matt perdoa a mãe, ciente de que não tinha o que perdoar uma vez que ela não tinha culpa desses males, mas dá a ela palavras de conforto.

Tudo que escrevi foi com base no que foi publicado no Brasil até outubro de 2015, não procurei saber do destino de sua atual namorada ou se seu amigo de longa data consegue vencer esse câncer. Devo ter deixado algumas mulheres da vida do Demo fora da lista como a Viúva Negra, Mary Tyfoid e a Gata Negra – cujos “pegas” deixaram o Homem-Aranha no recalque, pobre Aranha!

Demolidor para uns é um Homem-Aranha cego, para outros é o Batman vermelho, para mim é um personagem único, um homem que não teve medo de perdoar e de seguir em frente. Matt Murdock não tem medo de sorrir como se ainda estivesse na era de prata dos quadrinhos.

Demolidor é o homem sem medo.

– Demolidor já apareceu nas telas no filme O Julgamento do Incrível Hulk de 1989.
– Voltou a dar as caras em 2003 no filme Demolidor estrelado por Bem Affleck.
– Em 2015 ganhou uma série pela Netflix com Charlie Cox vivendo o papel do herói e a série está interligada com o universo integrado da Marvel nos cinemas se situando logo após o primeiro Vingadores.

 

Em 2015 ganhou uma série pela Netflix com Charlie Cox vivendo o papel do herói e a série está interligada com o universo integrado da Marvel nos cinemas se situando logo após o primeiro Vingadores.

                              Um grande abraço a todos, até a próxima!

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É estudante de filosofia, Designer gráfico e desenhista.

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