Dias atrás, estava lendo um texto pacifista que defendia o que o autor chamava de “atitudes mais humanas” e isso ficou na minha cabeça. Então, aqui com meus botões me peguei pensando sobre o que diabos significaria isso e gostaria honestamente de fazer uma pergunta a todos vocês, meus caros leitores, será que eu sou a única pessoa no mundo que quando ouve alguém dizer “tenha uma atitude mais humana” pensa “Nossa, que bosta…”?? Porque vamos combinar, desde os tempos da pedra a cara da humanidade está meio queimada, num tá, não?

Desculpe aos humanos que se ofenderam, afinal também sou uma, salvo aquelas pessoas que vão parar em hospícios achando que são gatos ou raposas (ok, isso é outro assunto), mas é que esse termo realmente me incomoda. Pensa comigo! Como definir o que é a essência da humanidade e mais ainda, como definir o que é uma atitude humana? Na moral, não consigo pensar em coisa boa quando ouço isso. Me cai o queixo quando vejo pessoas dizendo: “Por um método de abate mais humano nos matadouros!”. Pessoa, tu tá matando o bicho!! Só que ao invés de degola-lo, pendurá-lo de cabeça para baixo esguichando sangue aos gritos até morrer você vai dar uma pancada rápida na cabeça, mas não muda o fato de que tu tá matando o bicho. Isso é que é ser humano? Perdoem minha limitação interpretativa, mas eu não entendo isso, não.

Não, não sou pessimista, acredito que há bondade na humanidade. Sim, acredito que seres humanos podem fazer coisas boas, mas a construção da humanidade está diretamente relacionada à destruição de tudo à sua volta, é hipócrita negar isso. Não somos seres planos e bonitinhos que saem cantando com passarinhos pelas ruas todas as manhãs como em um musical da Broadway dando bom dia para todo mundo. Somos também mal humorados, violentos, agressivos, grosseiros, invasivos, folgados, maus, egoístas, ambiciosos, julgadores, traidores e mais uma infinidade de adjetivos fofuletes que ajudam a definir a humanidade como algo bem longe de um potinho de purpurina.

Pessoa, tu tá matando o bicho!! Só que ao invés de degola-lo, pendurá-lo de cabeça para baixo esguichando sangue aos gritos até morrer você vai dar uma pancada rápida na cabeça, mas não muda o fato de que tu tá matando o bicho. Isso é que é ser humano? Perdoem minha limitação interpretativa, mas eu não entendo isso, não.

Taí! Golfinhos. Golfinhos eu gosto! Golfinhos são da hora! Sabiam que cientistas defendem que golfinhos deveriam ser considerados pessoas não-humanas? To brincando não, sérião, deixo o link no final do texto se não acreditam em mim, mas voltando aqui na reflexão…golfinhos são legais, fofinhos, gente boa, desenvolveram uma sociedade organizada não hierárquica, se respeitam, não estabeleceram nem abusam de suas relações de poder, vivem em harmonia com seu ecossistema, devolvem seu celular se você derrubar no mar, fazem sons legais, não comem mais peixes do que podem carregar e nem escondem do amiguinho, se protegem, possuem uma profunda noção de ética (não estou inventando nada), não abandonam seus parceiros e não matam por diversão…tá, boatos de que eles tem tretas com tubarões, mas ninguém é perfeito… Enfim, mesmo assim, você nunca vai ouvir falar de um golfinho que atacou um tubarão que não seja por defesa ou por competição por alimento.

“Ah, lá! Golfinha mó gostosinha aquela, olha que delícia de cauda, vem cá novinha, bonitinha assim tá pedindo.” Nãããão! Estão sentindo a ironia? Golfinhos são legais e são considerados “pessoas não-humanas”, entendem onde quero chegar? Muitos de vocês vão me chamar de hipócrita e dizer que eu, na minha condição de humana, quero tirar de todos os outros sua humanidade. Não, meu bem, quero tirar nada de ninguém não, só me chateia sentir que “ser humano” não é elogio pra ninguém. De hoje em diante, pela salvação da humanidade, eu luto por um mundo mais golfinho.

Link: http://www.jornalciencia.com/meio-ambiente/animais/1477-cientistas-querem-classificar-os-golfinhos-como-pessoas-nao-humanas-por-sua-grande-inteligencia

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Andy Jankowski é mestranda em Multimeios pelo Instituto de Artes da UNICAMP, formada de Cinema e Vídeo na UNESPAR/FAP, cursou filosofia na UFPR. Dedica seus estudos à Teoria, História e Linguagem do Cinema, sobretudo na representação da mulher. É membro da Associação Paranaense de Imprensa, foi Diretora Cultural e co-fundadora da Organização Universo Racionalista e atriz profissional.

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