Requadro 2

Hoje resolvi fazer um apanhado geral sobre a área de quadrinhos, mas aqui você não encontrará fatigantes discussões sobre qual editora é melhor ou falsas imparcialidades no estilo Jornal Nacional.
Vou começar a exposição com algumas perguntas, por exemplo, você é um leitor? (se não for não tem problema), e que tipo de leitor você é? E qual a sua IDADE de leitor?

Não precisa me responder, talvez um dia numa mesa de bar a gente se conheça e tenhamos a oportunidade de trocar essas figurinhas, mas no momento sou contra aquelas enxurradas de comentários em postagens que inevitavelmente forçam a barra para mostrar suas preferências, mesmo que isso passe por cima dos outros.

Perguntei sua idade de leitor para abordar justamente a questão do jovem leitor que tem vergonha de admitir pra si e para seu grupinho que gosta de qualquer coisa que remeta a algo infantil. Na juventude existe às vezes um desejo de SER adulto, e com isso começam a renegar coisas que seu meio social julga infantil – muito embora façam coisas juvenis em festinhas – esses jovens travestidos desse novo formato nerd estufam o peito para dizerem que leem só coisas “cabeças”, “sombrias” e “adultas”. A meu ver não precisa carregar a “bandeira nerd” para ser um leitor de algo, mas essa rotulagem deixaremos para outra conversa.

Esse estigma de infantilização dos quadrinhos e o grito de protesto ta engasgado e enraizado lá nos anos 50 quando o livro The Seduction of the Innocent” do psiquiatra alemão Fredric Wertham caiu nas graças do povo, livro responsável pela castração da criatividade e da ousadia dos quadrinhos. Eu poderia me aprofundar sobre o velho Wertham aqui, mas já existem outros sites muito bons falando sobre esse grande vilão das HQs, então vamos tentar criar conteúdo novo para a internet.

Após a depreciação dos quadrinhos, marginalizados e escorraçados veio a década de 80 com um novo fôlego. De um lado Frank Miller nos trouxe uma releitura do Batman, tornando-o mais sombrio e ameaçador em seu Batman o Cavaleiro das trevas, do outro Alan Moore apanhando arquétipos da finada Charlton Comics (absorvida pela DC Comics) e criando seu Watchmen – que em suas palavras foi a obra definitiva no gênero de super-herói e depois daquilo nada mais poderia ser feito de inovador… balelas a parte foram grandes marcos para o cenário dos quadrinhos. A fórmula de Moore e Miller foram usadas muitas vezes de forma desmedida nos anos 90, muito sangue e dentes a mostra tentavam emular a obra de Miller, e outros arrastavam os heróis na lama achando que Moore havia apontado um novo caminho para se seguir: a decadência do herói. Teve muita coisa boa nos anos 90, mas ainda nessa gangorra de tentar achar o meio termo que agradasse o público.
Nos anos 2000 senti que o gráfico começou a cair e nos anos de 2010 se levantou com a corda toda.

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Apolo e Meia-Noite, da controversa equipe Autorithy.

Esse desejo de ser adulto se confunde por gostar de coisas ditas sérias, é insuportável para os fãs de quadrinhos que um herói faça piada em um filme, ou tenha cores tão vibrantes como nos gibis. Talvez falte certa empatia nos nossos “nerds” para perceber que eles não são o centro do universo e a maioria do público alvo desses filmes são as crianças, e que nós os grandinhos é que temos sorte do filme ser legal o bastante para nos entreter.

O ser nerd após se livrar das amarras dos valentões que os trancavam nos armários e roubavam dinheiro do lanche agora foi empoderado por algo mais perigoso que a Manopla do Infinito ou a Equação Anti-Vida, o nome da fonte de poder é “internet” onde de suas poltronas, com pantufas nos pés e toddynho na mesa eles podem assumir qualquer avatar, xingar, oprimir e no fim dizer que é apenas a “opinião dele” usando a tal de democracia para exercer seu direito de humilhar seus desafetos. Posso até falar que isso não me parece atitude de um “leitor adulto”, mas eu estaria equivocado, pois é justamente essa a postura de muito adulto em vários setores.

Retomo minha pergunta inicial, qual sua idade de leitor?

Prefere dizer que lê “graphic novel” para não dizer que lê gibi, ou lê tranquilamente seu Hulk no ônibus ou no campus da faculdade?

Acreditem, os super-heróis ainda tem muito para ensinar, muito além das lições do He-man (que mesmo que aparentemente bobas são dignas de atenção).

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É estudante de filosofia, Designer gráfico e desenhista.

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