“É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro

Evita o aperto de mão de um possível aliado,

Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo

Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo”

Em 1979, o genial Raul Seixas, lançava o álbum “Por quem os sinos dobram”. E a canção, que leva o mesmo nome do disco, traz na segunda estrofe um verso que cai como uma luva no discurso do governo do Paraná Beto Richa (PSDB): “É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro”. No caso de Richa é mais fácil jogar a culpa nas costas do outro, principalmente nas costas do PT.

Em entrevista concedida à jornalista Joice Hasselmann no site da Revista Veja no último dia 08/06, o tucano responsabiliza o insucesso de sua gestão e a histórica greve dos professores a manobras políticas orquestradas pelo PT com a intenção de destruir sua imagem. Na sabatina, que dura cerca de 20 minutos, Richa troca figurinhas com Hasselmann, sua antiga inimiga, já que a ex-âncora da Band News FM teria sido demitida porque fazia duras críticas a Beto e ao então presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Valdir Rossoni (PSDB).

O velho discurso do nosso governador foi sustentado mais uma vez. Ele jura de pés-juntos que as dificuldades do estado são culpa do PT. Segundo ele, o massacre contra os professores no qual o confronto de PMs com os educadores ganhou forte repercussão, até no exterior, foi orquestrado pelo Partido dos Trabalhadores em parceria com Black Blocs. No dia 29/04, cerca de 200 pessoas ficaram feridas com a ação truculenta dos policiais. Contudo, para Beto Richa, o massacre registrado contra os professores foi uma “reação natural da proteção da vida”, e um revide, já que segundo ele, quem agiu com truculência não foi a polícia, mas sim os manifestantes. A repercussão da violência fez com que o braço direito de Richa, o então secretário de Segurança, Fernando Francischini pedisse demissão. Antes dele o secretário de Educação, Fernando Xavier, já havia deixado o cargo.

Mas, com Beto Richa não existe meia culpa. Para ele há um único e exclusivo culpado por tudo que foi feito por meio de seus policiais e de seus secretários: O PT.

Beto Richa afirma na entrevista que a APP é um braço do PT aqui no Paraná e é o único sindicato a se “rebelar” contra o governo. Ora governador, o Sindicato dos Agentes Penitenciários também parou. A greve começou e terminou em maio desse ano, mas no dia 02 de junho os agentes que trabalham na Penitenciária Central do Estado também cruzaram o braço em busca de melhores salários e condições de trabalho. Há também petistas infiltrados no TJ do Paraná? Pois os servidores do Tribunal de Justiça do Paraná entraram em greve, no último dia 26/05. De acordo com o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná (Sindijus-PR), a pauta de reivindicações da categoria abrange 29 itens. Em fevereiro, os servidores da saúde também cruzaram os braços. Além disso, outras classes como a Polícia Civil e o Detran pararam seus trabalhos em 2014, durante o primeiro mandato do tucano.

Teria o PT todo esse poder de persuasão? Teria o partido agentes infiltrados com a missão de fazer lavagem cerebral em milhares de servidores para que estes entrem em greve? Ou seria nosso governador um demagogo que jamais admitirá que sua gestão cometeu graves erros administrativos que custaram muito aos cofres do estado nos últimos quatro anos?

Chegou a hora de virar o disco governador! Falando em disco, há outros versos do Rauzito que se encaixam perfeitamente no discurso e no comportamento de nosso governador:

Abra-te Sésamo

Lá vou eu de novo

Um tanto assustado

Com Ali-Baba

E os quarenta ladrões

Já não querem nada

Com a pátria amada

E cada dia mais

Enchendo os meus botões…

Cachorro Urubu

Todo jornal que eu leio, Me diz que a gente já era,

Que já não é mais primavera,

Oh baby, oh ba…by, A gente ainda nem começou

E por aí vai…

PS: Sim, eu conheço os escândalos de corrupção que envolvem o PT, mas esse post é sobre a incapacidade de nosso governador em assumir qualquer erro de sua administração à frente do Estado do Paraná.

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José Pires

É Jornalista idealizador do Parágrafo 2. Trabalhou como repórter na Região Metropolitana de Curitiba e como Assessor de Imprensa. Dirigiu o documentário Tabaco – As folhas da incerteza. Acredita que o Jornalismo é mais do que a reprodução dos fatos mais relevantes do dia

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